Ilha do Fogo e estratégias de desenvolvimento

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Vivemos, HOJE, num contexto singular e desafiante, ao nível planetário.

          

Em síntese, retomando uma alargada reflexão que fiz há uns anos atrás (vazada num livro entretanto publicado), o nosso tempo é um tempo de riscos, potenciados, de resto, pela hipertrofia tecnológica, culminando no paradigma da “Risikogesellschaft” (Sociedade de Risco) propugnado pelo sociólogo germânico Ulrich Beck.

As questões ambientais e de ordenamento do território assumem, hoje, uma importância decisiva. Sem cair nos exageros da “deep ecology”, há que proteger, como estabelece a nossa Constituição de 1992, um ambiente sadio e equilibrado, como condição da “vida boa”, na esteira dos sábios filósofos do antanho.

O ambiente é um bem juridicamente protegido.

A minha ilha natal, com o seu majestoso vulcão (o ponto mais alto do oceano Atlântico, o que já por si é um marco absolutamente assinalável) e as espécies únicas do perímetro florestal de Monte Velha, possui boas condições para se afirmar como um destino turístico de referência.

Turismo de natureza, científico ou “ecológico”, se quisermos. É uma área com futuro garantido.

Já não estamos, meus senhores, na era do vapor ou das fumegantes fábricas da primeira Revolução Industrial. Parece que muita gente ainda vive, sossegadinha, nas densas nuvens do passado!

Em Cabo Verde não se fala disto, mas o futuro (ou será o…presente?!) é claramente das NANOTECNOLOGIAS, com inúmeras aplicações práticas que vão do conforto doméstico à agricultura, da arte médica ao polémico uso militar, através da sua incrível escala “microscópica”. Small is beautiful

É um mundo desconcertante, que merece uma análise trans-disciplinar e cuidadosa.

O princípio da PRECAUÇÃO é aqui determinante. A construção da riqueza e do poder no século XXI segue, pois, caminhos nunca dantes vistos. Estejamos atentos.

A inauguração da estrada Chã das Caldeiras/Campanas de Cima é uma bela realização deste Governo. Um sonho antigo. Quem conhece minimamente a ilha do Fogo sabe o que isso significa.

Trata-se de um cartaz turístico fora-de-série, numa zona com uma riqueza natural largamente inexplorada. Os foguenses ganharão também em termos de segurança, numa ilha que alberga um vulcão activo, irrequieto, agitando, caprichosamente, aquele brilhante e primordial fogo de Hefesto!

A ligação com a zona alta do concelho dos Mosteiros deve ser o próximo passo. A “terra do café” deverá apostar, para já, em agro-indústrias e retomar a sua vocação, com ligações rápidas e autónomas à cidade da Praia, etc..

O que nos falta é AFINAR o pensamento e perceber, numa compreensão mais sofisticada das coisas, aquilo que acontece pelo mundo fora. Falo de ESTUDOS ESTRATÉGICOS e da recuperação da formação humanística, pois só esta permite, tocando nos princípios, o desvelamento do ser do Homem.

Cabo Verde é um país rico e bem servido. Extraordinário.

Resta apenas PENSÁ-LO nesta dimensão humanamente necessária, enriquecedora e estimulante.

 

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