Expansão do Porto Grande projeta São Vicente como hub atlântico e vai gerar até 500 empregos diretos

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Projeto apresentado, ontem, sábado, pela arquiteta Iara Fernandes, da ENAPOR, prevê novo quebra-mar, dois cais de granéis e reorganização funcional do porto, num investimento de 82 milhões de Euros cofinanciado pelo Banco Europeu de Investimento

A arquiteta Iara Fernandes, da ENAPOR, apresentou os principais contornos do ambicioso projeto de expansão do Porto Grande na Ilha de São Vicente, sublinhando o seu papel como infraestrutura central para a mobilidade nacional e pilar incontornável no desenvolvimento da Ilha.

Na sua explanação técnica, a responsável destacou que o Porto Grande, que atualmente dispõe de nove cais principais, enfrenta o desafio de se manter relevante num contexto de crescente exigência logística e marítima. “Manter o Porto Grande competitivo exige modernização e reorganização funcional”, frisou, apontando a necessidade de adaptar a infraestrutura portuária às novas dinâmicas do transporte marítimo internacional.

Novo quebra-mar e dois cais de granéis

Entre as principais intervenções previstas no projeto está a construção de um novo quebra-mar com cerca de 570 metros de extensão, destinado a reforçar a proteção e a operacionalidade da baía.

A expansão contempla ainda a edificação de dois novos cais de granéis: um com 290 metros de comprimento e 20 metros de largura, e outro com 370 metros de comprimento e 120 metros de largura, o segundo cais com uma profundidade aproximada de 13,50 metros. Estas características permitirão a receção de navios mais modernos e de maior dimensão, aumentando significativamente a capacidade operacional do porto.

Segundo Iara Fernandes, a reorganização funcional do Porto Grande será um dos grandes ganhos do projeto, permitindo uma melhor gestão dos fluxos, maior eficiência nas operações e melhores condições de segurança.

Mais competitividade e impacto no emprego

Com a expansão, São Vicente deverá registar um aumento do número de escalas e de movimentos portuários, consolidando o seu posicionamento estratégico no Atlântico Médio e reforçando o seu papel na economia azul.

A fase de construção, estimada em cerca de 42 meses, deverá gerar entre 300 a 500 empregos diretos, além de centenas de postos de trabalho indiretos associados às atividades complementares.

O investimento global é de 82 milhões de Euros, cofinanciado pelo Banco Europeu de Investimento, refletindo a confiança dos parceiros internacionais no potencial do Porto Grande enquanto plataforma logística estruturante para Cabo Verde.

Com esta expansão, São Vicente prepara-se para dar um salto qualitativo na sua capacidade portuária, reforçando a sua vocação histórica de Ilha marítima e projetando-se como um dos principais polos logísticos da região.