Facebook acusado de enganar investidores e escolher “lucro em detrimento da segurança”

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Denúncia foi feita por Frances Haugen, 37 anos, que esteve no Facebook entre 2019 e maio deste ano. A analista de dados passou as últimas semanas de trabalho a recolher estudos e relatórios escondidos pela empresa, incluindo estudos sobre o impacto negativo da plataforma nos jovens

O Facebook está a ser acusado de enganar investidores e escolher “lucros em detrimento da segurança”.

A denúncia partiu de uma das antigas gestoras de produto da empresa, que afirma que o Facebook escondia alguns relatórios, incluindo estudos sobre o impacto negativo da plataforma nos jovens, entretanto, esses documentos vieram a ser divulgados por Frances Haugen de 37 anos.

Os estudos de 2019 permaneceram escondidos do público até que Frances Haugen os enviou ao jornal Wall Street Journal em meados de setembro. Este domingo, Haugen contou a sua história ao programa 60 Minutos da CBS e acusou o Facebook de escolher “o lucro em detrimento da segurança”.

“Havia conflitos de interesse entre o que é bom para o público e o que é bom para a empresa”, recordou Haugen durante a entrevista. “E uma e outra vez, o Facebook escolheu para optimizar os seus próprios interesses, como fazer dinheiro”.

Essa especialista em análise de dados disse que aquilo que viu ser feito no Facebook, foi “substancialmente pior” do que qualquer experiência anterior. Conforme disse, o algoritmo do Facebook, que decide aquilo que os utilizadores vêem primeiro no site, está optimizado para mostrar conteúdo que cause reações e emoções fortes. “O Facebook percebeu que se mudassem o algoritmo para algo mais seguro, as pessoas iriam passar menos tempo no site, iriam clicar em menos anúncios, e iriam fazer menos dinheiro”, justificou.

Essa ex-funcionária do Facebook, disse ainda que existiam documentos internos sobre a forma como o Instagram piorava a auto-estima e a imagem corporal das jovens.

A gota de água, disse Haugen, foi o facto de o Facebook suspender as operações da equipa de integridade física (um grupo responsável pelo combate à desinformação durante períodos eleitorais), após as eleições Norte-americanas de 2020. Haugen acredita que o desaparecimento desse grupo contribuiu para o ataque ao Capitólio, a 6 de Janeiro, por apoiantes do então Presidente Donald Trump.

Contudo, o Facebook contesta as acusações. Numa publicação no Twitter, Guy Rosen, o vice-Presidente de integridade do Facebook, diz que a equipa de integridade física não foi suspensa. “Foi integrada numa equipa de Integridade Central maior para que o incrível trabalho pioneiro feito para as eleições pudesse ser aplicado de forma mais ampla, por exemplo, em todas as questões relacionadas com a saúde”, escreveu.

Com Público