Há dias a Comissão Nacional de Eleições, CNE, realizou um importante evento abordando o tema das Eleições e as Fake News. O evento que por sua pertinência já deveria ter sido debatido há muito tempo.
Falar das Fake News não é algo novo, porque o mundo, principalmente nas incessantes lutas pelo poder, viveu baseando-se em Fake News. No entanto, agora, na arena das lutas políticas, esse assunto tem ganhado contornos cada vez maiores com a popularização das redes sociais e implementação massiva da Inteligência Artificial.
As redes sociais, na sua conceção básica, serviram para replicar as comunidades de interação humana. Isto significa que as comunicações e interações que os humanos faziam num face-to-face foi replicado num mundo virtual. Quando uma pessoa está na rede, consegue se comunicar com um número ilimitado de pessoas ao mesmo tempo através de publicações e mensagens instantâneas.
A replicação feita no mundo virtual, permitiu que os humanos ampliassem as redes de comunicação, mas mantendo alguns hábitos primitivos. Como defende o Yuval Noah Harari, no livro Sapiens: Breve História da Humanidade, o ser humano só conseguiu organizar-se como sociedade porque foi capaz de criar alguns hábitos e um desses hábitos é o hábito da fofoca, o RUE em crioulo.
Nas redes sociais, uma Fake News, se quiserem uma fofoca, espalha-se rápido e influencia a perceção dos que a recebem. Ademais, nas redes sociais há um efeito de: aquilo que chega em primeiro lugar é a verdade e dificilmente quem recebe esta mensagem/news dedica tempo para fazer o fact check, como explica o Stephan Lewandowski no seu artigo “Beyond Misinformation: Understanding and Coping with the “Post Truth” Era”.
A título de exemplo sobre o devastador efeito das Fake News, temos um caso na Macedônia, em 2016. Na cidade de Veles, na Macedônia, em 2016, um jovem começou a publicar histórias e narrativas falsas sobre Donald Trump e pagou ao Face Book para que fossem partilhadas com americanos e segundo os jornais, o jovem faturou 1,8 mil euros fazendo esse trabalho e a cidade de Veles ficou conhecida como a capital do Fake News.
As histórias e narrativas criadas pelo jovem em causa causaram vários tumultos e há quem defende que influenciou nos resultados das eleições.
Logo, é pertinente debater e criar mecanismos para que isso não aconteça em Cabo Verde. É preciso mecanismos de Fact Check nas eleições autárquicas que se avizinham. Em Cabo Verde, já há sinais visíveis que neste ciclo eleitoral as redes sociais serão um fator de influência na vitória ou derrota de um candidato. A Comissão Nacional de Eleições deve, impreterivelmente, criar mecanismos que penalizem grupos de cidadãos ou partidos políticos que criam e espalham Fake News.


