Falha dos travões determinou acidente que vitimou 25 pessoas no Fogo

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A viatura circulava há mais de seis meses sem inspeção técnica válida e transportava oito passageiros acima da capacidade permitida

A perda total da eficácia dos travões, provocada pelo sobreaquecimento durante uma descida prolongada, foi a causa direta do acidente rodoviário que matou 25 pessoas na ilha do Fogo, a 5 de setembro. A Comissão de Inquérito apurou ainda que a viatura circulava há mais de seis meses sem inspeção técnica válida e transportava oito passageiros acima da capacidade permitida.

As conclusões foram apresentadas esta segunda-feira pelo diretor-geral dos Transportes Rodoviários, Emanuel Almeida, durante a divulgação do relatório final sobre a tragédia.

Segundo o responsável, a utilização contínua dos travões durante a descida provocou uma acumulação excessiva de calor, a dilatação dos tambores e a consequente perda de atrito, comprometendo totalmente a capacidade de travagem do veículo.

A investigação identificou outras irregularidades técnicas, incluindo alterações artesanais no sistema de travagem, desgaste severo dos tambores, anomalias no sistema direcional e ausência de um travão auxiliar por escape.

A viatura transportava 38 passageiros, apesar de ter capacidade para apenas 30 pessoas. De acordo com Emanuel Almeida, a sobrelotação aumentou a massa do veículo e a exigência sobre o sistema de travagem.

O relatório confirmou também que a última inspeção técnica foi realizada a 30 de Novembro de 2025, tendo a sua validade terminado a 28 de Fevereiro de 2026.

A Comissão apontou ainda vulnerabilidades na estrada entre Chã das Caldeiras e Campanas de Cima, nomeadamente o declive acentuado e a ausência de barreiras metálicas, muros de proteção e outros sistemas de contenção. O percurso apresenta um desnível de cerca de 773 metros ao longo de aproximadamente 25 quilómetros.

Quanto ao condutor, a investigação afastou as hipóteses de negligência voluntária e de uma crise hipoglicémica incapacitante, apesar de o motorista ser diabético.

O acidente ocorreu a 5 de setembro, quando um autocarro que transportava sobretudo estudantes se despistou e caiu numa ravina com cerca de 30 metros, provocando 25 mortos e 13 feridos.

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