Chama-se Ana Correia da Veiga e na quarta-feira, a 14 de outubro, tornou-se na primeira pessoa negra e de origem cabo-verdiana a assumir funções de deputada no parlamento do Grão-Ducado do Luxemburgo. Na tomada de posse, protagonizou um momento histórico ao falar em crioulo, evocando a luta e os sacrifícios dos pais emigrantes
“Não deixámos Cabo Verde para emigrar para o Luxemburgo, para passarmos frio até às entranhas e para os nossos filhos limparem casas de banho.” Foi com estas palavras da mãe, pronunciadas em crioulo, que Ana Correia da Veiga marcou o seu primeiro discurso parlamentar, sublinhando a importância da educação, da dignidade do trabalho e da igualdade de oportunidades.
Segundo noticia o jornal Contacto, a nova deputada recordou com orgulho o percurso dos pais, particularmente da mãe, que trabalhou durante anos nas limpezas para garantir melhores condições de vida aos filhos.
A sua eleição representa também um marco para a comunidade cabo-verdiana no Luxemburgo, 53 anos depois da aprovação do acordo de imigração entre os dois países.
“Hoje, tal como outros fizeram antes de mim, abro uma porta, uma porta simbólica, para milhares de raparigas negras que nos estão a ver”, declarou a cabo-verdiana na sua comunicação.
Ana Correia da Veiga destacou ainda a educação como uma das suas prioridades, defendendo maior justiça social e igualdade de oportunidades, independentemente da origem ou condição económica das famílias.
A deputada assumiu o compromisso de combater as injustiças e valorizar o papel dos professores na construção de uma sociedade mais inclusiva.
De filha de emigrantes cabo-verdianos a deputada
Ana Correia da Veiga, tem 43 anos de idade, nasceu no Luxemburgo, a 11 de janeiro de 1983, sendo filha de emigrantes cabo-verdianos. É mais velha de quatro irmãos.
Ela é militante do partido déi Lénk (A Esquerda) desde 2013.
Estudou Educação Especializada e Acompanhamento Psicoeducativo, tendo desenvolvido uma carreira ligada à infância, juventude, inclusão social e combate à discriminação. Trabalhou no Serviço Nacional da Juventude e em instituições de educação especializada.





