O Fundo Monetário Internacional esclareceu que a recente missão técnica a Cabo Verde não avaliou a execução do Orçamento do Estado nem a necessidade de um Orçamento Retificativo, contrariando declarações do primeiro-ministro, Francisco Carvalho, que atribuiu à instituição a identificação de um alegado desvio de cerca de oito mil milhões de escudos na despesa pública
O FMI afirmou, em declarações reproduzidas pela Agência Lusa, que a equipa técnica que esteve em Cabo Verde entre 21 e 24 de julho passado, não recebeu dados sobre a execução orçamental, pelo que não esteve em condições de avaliar a implementação do Orçamento do Estado para 2026 nem de validar a necessidade de um Orçamento Retificativo.
Segundo um porta-voz da instituição, a visita teve caráter exclusivamente técnico e não correspondeu a uma missão de revisão do programa, acrescentando que o FMI “não avaliou essas questões durante a visita”.
O esclarecimento surge depois de o primeiro-ministro, Francisco Carvalho, ter afirmado que foi precisamente durante a missão do FMI que o Governo identificou uma diferença entre o orçamento aprovado e a execução orçamental projetada, estimando um aumento da despesa na ordem dos oito mil milhões de escudos. O primeiro-ministro acusou ainda o anterior executivo, liderado pelo MpD, de ter “ludibriado” o FMI e ocultado informação sobre as contas públicas.
As declarações foram reiteradas ontem, sexta-feira, no debate sobre o Estado da nação, onde Francisco Carvalho voltou a sustentar que o anterior Governo terá apresentado dados incompletos aos técnicos da instituição.
Em reação, o líder parlamentar do MpD, Luís Carlos Silva, classificou as acusações como “gravíssimas” e “falsas”, considerando que comprometem a credibilidade de Cabo Verde junto dos parceiros internacionais, investidores e credores. O deputado defendeu que o país construiu, ao longo de vários anos, uma reputação de rigor financeiro e cumprimento das suas obrigações externas.
A missão técnica do FMI teve como principal objetivo estabelecer os primeiros contactos com o novo Governo.

