Equipa do FMI liderada por Martin Schindler reuniu-se com as autoridades de Cabo Verde entre 5 e 13 de maio, com o objetivo de realizar a sexta avaliação do programa ao abrigo da Linha de Crédito Ampliada e a terceira avaliação do Instrumento de Resiliência e Sustentabilidade (RSF), bem como políticas e reformas económicas a apoiar no âmbito de uma extensão de ambos os acordos
O Fundo Monetário Internacional e o Governo de Cabo Verde alcançaram um acordo de nível técnico para a sexta avaliação do programa ao abrigo da Linha de Crédito Alargada (ECF) e a terceira avaliação do Instrumento de Resiliência e Sustentabilidade (RSF), incluindo a extensão de ambos os programas por mais 15 meses, até dezembro de 2026.
A extensão contempla um aumento de 30% da quota ao abrigo do ECF, elevando o montante total para 52,14 milhões de Direitos de Saque Especiais (DSE), cerca de 73,2 milhões de Dólares. Com a aprovação pelo Conselho Executivo do FMI, será possível o desembolso de 6,09 milhões de Dólares no âmbito do ECF e 10,66 milhões de Dólares no RSF, consoante o progresso das reformas.
Segundo o Chefe da missão do FMI, Martin Schindler, a economia Cabo-verdiana “continua a registar um bom desempenho”, com um crescimento robusto de 7,3% em 2024, inflação controlada em 1%, e saldo orçamental superior ao previsto, fruto da redução da despesa primária e do aumento da receita fiscal. Para 2025, projeta-se um crescimento do PIB de 5,2% e inflação em torno de 2%.
O ECF visa consolidar as finanças públicas, reduzir riscos orçamentais ligados às empresas estatais, modernizar a política monetária e impulsionar o crescimento económico. Já o RSF apoia reformas relacionadas com o clima e captação de financiamento climático privado.
A missão do FMI destacou ainda os avanços na implementação das reformas estruturais, embora algumas medidas exijam mais tempo. “O sistema financeiro nacional mostra-se estável, com boa liquidez, rentabilidade e capitalização”, destacou.
O FMI alertou, no entanto, para riscos externos como choques nos preços de energia, turismo e segurança alimentar, além de ameaças climáticas e atrasos em reformas nas empresas públicas, mas o bom desempenho turístico poderá continuar a impulsionar a economia.
As autoridades Cabo-verdianas foram elogiadas pela condução das políticas económicas e pelo diálogo construtivo com a equipa do Fundo.


