Fundo Monetário Internacional sublinha que as perspetivas económicas para Cabo Verde mantêm-se favoráveis
A missão do Fundo Monetário Internacional (FMI), chefiada por Martin Schindler, concluiu esta terça-feira, 4, a sua visita a Cabo Verde, no âmbito da Consulta do Artigo IV de 2025 e da sétima avaliação do programa ao abrigo da Linha de Crédito Alargada (ECF), bem como da terceira e quarta avaliações do Instrumento de Resiliência e Sustentabilidade (RSF).
Segundo o comunicado do FMI, as discussões com as autoridades Cabo-verdianas foram produtivas e resultaram em acordos ao nível técnico. Após a aprovação pelo Conselho Executivo do FMI, o País deverá receber 2,37 milhões de DSE (3,23 milhões de Dólares) relativos à sétima avaliação do ECF e 7,896 milhões de DSE (10,75 milhões de Dólares) referentes ao RSF.
O FMI sublinha que a economia Cabo-verdiana mantém uma dinâmica de crescimento robusta, com o Produto Interno Bruto (PIB) a crescer 7,3% em 2024 e a projeção de 5,2% para 2025, sustentado pelo turismo, exportações e consumo privado. A inflação permanece controlada, estimando-se 2% para 2025, e a balança corrente registou um excedente de 5,4% do PIB no primeiro semestre de 2025, impulsionada pelo turismo e pelas remessas.
O rácio da dívida pública continua em trajetória descendente, com o saldo orçamental primário de 2024 a superar as metas do programa, devido à redução das despesas primárias e ao aumento das receitas fiscais.
No setor monetário, o FMI destaca que o Banco de Cabo Verde (BCV) mantém estabilidade nas taxas diretoras e reforça o compromisso com a paridade cambial e o controlo da inflação. O sistema financeiro é considerado líquido, rentável e bem capitalizado.
Apesar do cenário positivo, o FMI alerta para riscos externos associados à vulnerabilidade de Cabo Verde a choques nos setores da energia, alimentação e turismo, bem como aos efeitos das mudanças climáticas e possíveis pressões orçamentais ligadas ao ciclo eleitoral.
Martin Schindler destacou o comprometimento do Governo Cabo-verdiano com as reformas estruturais, afirmando que o desempenho económico do País é “um exemplo de estabilidade e boa governação num contexto global desafiante”.
A missão reuniu-se com o Primeiro-Ministro Ulisses Correia e Silva, o Vice-Primeiro-Ministro e Ministro das Finanças, Olavo Correia, o Governador do Banco Central, Óscar Santos, entre outras autoridades, parceiros e representantes do setor privado.


