Na última sessão extraordinária da Assembleia Municipal Praia foi aprovado um leque de deliberações, que se afigura uma corrida contra o tempo. Explico: a escassos meses das eleições, o senhor Presidente da Câmara, Francisco Carvalho lembrou que necessitava dos 600 mil para obras de campanha, como se não bastasse a saga de demagogia e populismo que tem mimoseado aos praienses, desde 2020.
É que nos termos do Estatutos do Município, a Assembleia Municipal deveria reunir em fevereiro e abril, para apreciação do relatório de atividades e conta de gerência do ano anterior. Ora, se o órgão deliberativo (entende-se, a Assembleia Municipal) não se reuniu para apreciação dos instrumentos de gestão da autarquia praiense relativos ao ano anterior, não se percebe as razões objetivas que levaram a Mesa da Assembleia Municipal da Praia, sob a égide da sra. Clara Marques, a convocação de uma reunião extraordinária para, justamente, aprovar uma deliberação que autoriza a edilidade a contrair um empréstimo bancário no valor de 600 mil contos aprovado em reunião da CMP com o voto de qualidade porque o resultado da votação ditou 4 votos a favor do PAICV e 4 votos contra do MpD.
Mas nós percebemos, desde logo, até porque já estamos habituados a estas manobras demagógicas e populistas com laivos maquiavélicos do senhor Francisco Carvalho, pois, sabemos nós e vós praienses também sabeis, que a única explicação plausível é que este senhor quer, a todo o custo, mostrar obras que não tem. Mas que quer, neste sprint final da sua corrida atabalhoada de governação da Praia, apresentar.
Lembre-se, senhor Carvalho, não se pode dar, o que não tem! O senhor passou todo esse tempo a atacar, de forma vil, o Governo da República, ao invés de se alinhar com o seu novo paradigma de cooperação com os municípios que, de resto, tem dado bons frutos em todas as autarquias, inclusive naquelas onde o seu partido é poder.
Ainda a propósito do empréstimo bancário, importa questionar se, num contexto de governação e gestão da rés-pública, em que o senhor Francisco Carvalho é suspeito de peculato, falsificação de documentos, usurpação de competências e abuso de poder, será que algum banco no país depositaria confiança no atual Presidente da Câmara da Praia, ao ponto de outorgar um contrato de empréstimo de 600 mil contos?
Muito sinceramente, digo que não creio, na justa medida que os bancos trabalham com uma coisa que se chama segurança jurídica e garantia, quando emprestam dinheiro a alguém e/ou instituições.
É que todos os bancos, por normas, são obrigados a terem um serviço de “compliance” que assegura que a imagem da instituição financeira não seja manchada por um cliente que a qualquer momento pode ser apresentado a um juiz, por falsificação de documentos e peculato.
Por outro lado, não estou a ver um banco a conceder financiamento a uma Câmara que não submeteu para apreciação da Assembleia Municipal, a sua conta de gerência e o mais grave, ainda, que foi confrontada com uma denúncia do auditor, que ela própria contratou, e que durante a auditoria concluiu que, as contas foram adulteradas.
Em qualquer dos casos, acredito que, nos dois maiores bancos do país, dificilmente Francisco Carvalho conseguirá algum empréstimo.
O BCA, por exemplo, tanto quanto sei, está em processo de privatização e, portanto, muito dificilmente, tomará uma decisão desta magnitude, quanto mais não seja, numa altura em que a Câmara Municipal da Praia (CMP) está em situação de incumprimento com a Caixa Económica. Já o terceiro maior banco do país vai, seguramente, querer saber o nível de endividamento da edilidade praiense para apurar se ela está em condições de reembolsar o montante tão elevado, quando se sabe que as receitas da autarquia baixaram significativamente, com decisões populistas que o senhor Carvalho, vem tomando para angariar votos.
Portanto, por estas e outras razões, resta ao senhor Francisco Carvalho fazer uma incursão junto de um banco da praça próximo do partido da oposição do qual um destacado dirigente histórico do PAICV (ex- embaixador de Cabo Verde em Angola) é acionista qualificado e tem também um administrador que é parente da ex e futura líder do partido, e que conta, ainda, com mais dois administradores não executivos, próximo do partido da oposição. Ainda assim, acredito que, mesmo neste contexto, seria muito arriscado este banco confiar numa aventura desta natureza.
Imaginem, se Francisco Carvalho for constituído arguido, depois de outorgado o contrato com esse esse banco?
E nas piores das hipóteses, se Francisco Carvalho é constituído arguido e perde as eleições, será que o seu sucessor não pode legitimante recusar pagar o empréstimo?
Por último e se Francisco, o único presidente que assina cheques e ordens de transferência e titular de um passaporte diplomático, agarrar dos 600 mil contos e resolver dar o mesmo fim que deu aos 226 mil contos do Clube Ténis da Praia?
Avé Maria, Credo em Cruz.



Tudo deverá ser explicado com todos os detalhes no seio dos eleitores, para que formem uma opinião e tenham um voto consciente. Há que mobilizar os indecisos, não os militantes e amigos do MPD que leem o O País. Toda gente nos bairros e junto do povo. Só assim se ganham eleições
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