O Custódio dos Irmãos Capuchinhos de Cabo Verde, Frei Gilson Frede, deslocou-se a Timor-Leste para representar a comunidade capuchinha cabo-verdiana nas cerimónias fúnebres de Frei Aventino Gusmão, missionário timorense que morreu num trágico acidente durante umas férias no seu país natal
Frei Aventino foi sepultado ontem, terça-feira, no Convento dos Capuchinhos, em Timor-Leste, numa cerimónia marcada pela emoção e pela presença de familiares, amigos e membros da comunidade religiosa. Frei Gilson permanece no país e presidirá, nos dias 5 e 6 de setembro, às celebrações em memória do sacerdote, que desenvolveu a sua missão pastoral na ilha do Fogo.
Em declarações ao SAP News TL, Frei Gilson recordou o seu confrade, Frei Aventino, como um jovem sacerdote “muito disponível, muito bom”, que conquistou rapidamente o coração dos cabo-verdianos.
“Para as pessoas de Cabo Verde, Frei Aventino era apenas mais um filho, não era um estrangeiro”, afirmou, sublinhando a profunda ligação que o missionário estabeleceu com a população.
De Timor-Leste para Cabo Verde
Frei Aventino chegou a Cabo Verde em 2023, depois de ter iniciado a sua formação religiosa em Portugal. Após a conclusão do processo que lhe permitiu integrar definitivamente a comunidade dos Capuchinhos de Cabo Verde, adaptou-se rapidamente ao país, aprendeu o crioulo e, segundo Frei Gilson, dizia sentir-se feliz por viver em Cabo Verde, apesar da distância da sua terra natal.
Foi ordenado sacerdote em 2025, concretizando o sonho de infância de ser padre capuchinho. Além da missão sacerdotal, desempenhava funções de ecónomo na comunidade onde vivia e tinha novos projetos para o futuro.
Frei Gilson destaca, sobretudo, o caráter simples, sereno e pacífico do sacerdote timorense. “Era um homem de paz, muito sereno e com muito compromisso”, recordou.
“Não podemos perder tempo”
Para o Custódio dos Capuchinhos de Cabo Verde, a morte repentina de Frei Aventino constitui também uma reflexão sobre a brevidade da vida.
“A vida tem que ser vivida com intensidade, com propósito”, defendeu, apelando particularmente aos jovens para que vivam com paixão e não desperdicem tempo “com coisas banais”.
Aos pais e familiares do sacerdote, Frei Gilson deixou uma mensagem de gratidão e solidariedade. “Choro com eles”, afirmou, reconhecendo não ter palavras capazes de consolar uma família que perde um filho tão jovem.
A homenagem em Timor-Leste prossegue nos próximos dias, com as celebrações dos dias 5 e 6 de setembro, presididas pelo Custódio dos Capuchinhos de Cabo Verde, em memória de um missionário que, apesar de ter nascido em Timor-Leste, deixou em Cabo Verde uma marca profunda junto das comunidades que serviu.



