Enquanto as atenções se concentraram nos estragos provocados pelas chuvas torrenciais em Santiago Norte, e anteriormente nas ilhas do norte, há um elemento decisivo que merece ser destacado: Cabo Verde possui hoje um mecanismo próprio, permanente e estruturado para lidar com catástrofes — o Fundo Nacional de Emergência (FNE).
Poucos se lembram, mas o FNE foi criado, pelo Governo, em 2018, através do Decreto-Lei n.º 59/2018, de 16 de novembro, faz amanhã 7 anos, exatamente para preparar o país para momentos como este. Trata-se de um fundo autónomo, com gestão técnica e regras claras, concebido para garantir resposta imediata a crises provocadas por fenómenos naturais ou outras situações de calamidade.
Criado para agir rápido — e sem depender do exterior
A principal força deste fundo está no seu propósito: dar a Cabo Verde capacidade de reação imediata, antes mesmo de qualquer ajuda internacional chegar.
O FNE mobiliza recursos para:
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apoiar famílias afetadas;
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repor meios de subsistência (colheitas, animais, pequenos negócios);
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reforçar o socorro e a proteção civil;
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recuperar infraestruturas essenciais;
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restabelecer condições mínimas de normalidade nas zonas atingidas.
Sem este instrumento, a resposta a crises dependeria quase sempre de apoios externos, muitas vezes demorados e sujeitos a trâmites complexos. Com o FNE, o país age no próprio dia — e isso salva empregos, protege rendimentos e acelera a recuperação.
A prontidão que o país testemunha hoje não é obra do acaso
A decisão do Governo de declarar estado de calamidade ativa automaticamente este mecanismo, permitindo libertar fundos com rapidez e colocá-los ao serviço das populações afetadas em Tarrafal, São Miguel e Santa Cruz.
Esta capacidade de atuar com autonomia foi testada em momentos anteriores, como na pandemia, agora em São Vicente e demais ilhas do norte e volta agora a demonstrar o valor estratégico de ter um fundo permanente, planeado e financiado com base nas receitas públicas.
Um país mais preparado, mais resiliente e menos dependente
Num arquipélago vulnerável às alterações climáticas, possuir um instrumento como o FNE é mais do que uma decisão técnica:
é uma escolha de soberania, de resiliência e de responsabilidade.
Com o FNE, Cabo Verde mostra que aprendeu com a experiência, que planeia para o futuro e que investe em mecanismos capazes de proteger vidas, famílias e a economia nacional.
Num momento de crise, não é apenas a resposta que conta, mas, sim, a capacidade de estar preparado. E o Fundo Nacional de Emergência tem provado, que Cabo Verde está preparado.


