Situação impacta também Cabo Verde que importa mais de 70% dos medicamentos
O PCA da Emprofac, João Spencer, reconhece que a instituição que dirige enfrenta uma conjuntura internacional no setor farmacêutico, resultado da pandemia da Covid-19, que obrigou várias fábricas a fechar as portas, situação que se prolongou nos anos seguintes.
A China, um “grande fornecedor mundial” registou encerramentos ainda em 2022, situação que na opinião de João Spencer afeta diretamente Cabo Verde, País que importa mais de 70% dos medicamentos que consome.
“Estes encerramentos sucessivos causaram uma decaláge entre a procura de medicamentos por parte dos cidadãos e a oferta que os laboratórios são capazes de oferecer”, observou o PCA da Emprofac, em entrevista à TV pública na última noite.
O gestor pontua que o mercado de medicamento é “altamente regulado”, com regras quer no País de exportação como nos países de importação, admitindo que “vai levar tempo” para o mercado registar um “equilíbrio” entre a oferta e a procura.
João Spencer também pontuou que a invasão da Rússia à Ucrânia tem reflexos negativos na cadeia de produção de medicamentos, lembrando que a Ucrânia, enquanto maior produtora de cereais, é um exportador do amido de milho, necessário na produção de medicamentos, situação que ficou mais complicada com a guerra naqueles territórios.
Outra guerra a condicionar o mercado de produção de medicamentos a nível mundial, é a iniciada a 7 de outubro, opondo Israel ao Hamas.
O gestor da Emprofac assinala que fornecedores que anteriormente podiam dar resposta em cerca de uma semana, para atender pedidos de fornecimento, agora levam dois a 3 meses e “no extremo, até 6 meses” para entregas.
Questionado com a possibilidade de importação de maiores quantidades, o PCA explicou que a pequenez do mercado Cabo-verdiano não aconselha a esta opção, admitindo que os remédios podem expirar de prazo, levando, então, a um situação de prejuízo financeiro da importadora.
O PCA garante, no entanto, aposta da Emprofac para garantir o normal abastecimento do mercado, não descurando da sua missão enquanto empresa pública, enfatizando que os utentes estão na primeira linha das prioridades da empresa e só depois vem a questão económica e financeira.


