Governo quer apostar nos jovens e na tecnologia para transformar a economia e posicionar Cabo Verde como hub digital africano

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O Governo cabo-verdiano quer colocar a tecnologia e o talento jovem no centro da transformação económica do país, com a ambição clara de posicionar Cabo Verde como um hub digital de inovação em África. A visão foi reafirmada esta quarta-feira por Milton Paiva, durante a cerimónia de assinatura dos memorandos de entendimento no âmbito do Morabeza Innovation Project (MiP).

Segundo o responsável, o Fundo Morabeza de Inovação assume a economia digital como eixo estratégico, encarando a tecnologia não apenas como ferramenta, mas como verdadeiro motor de desenvolvimento económico, capaz de gerar emprego, modernizar o Estado, aproximar os cidadãos dos serviços digitais e projetar Cabo Verde como uma nação inovadora no contexto africano.

Milton Paiva sublinhou que a transformação digital “exige mais do que tecnologia e financiamento”, implicando uma mudança profunda de mentalidades, processos e modelos de governação. Nesse sentido, o Fundo estrutura-se em três grandes pilares: apoiar o crescimento das empresas a nível local, promover a sua escalabilidade e internacionalização e reforçar a governança e a gestão da mudança.

Ao contrário de modelos centralizados, o Fundo Morabeza funciona como um fundo de refinanciamento, apostando no reforço de instituições já existentes que operam na linha da frente do apoio às empresas e aos empreendedores. Entre estas contam-se a Pró-Capital, a Pró-Empresa, a ProGarante, o TechParkCV, o Instituto do Turismo na vertente dos nómadas digitais, o Fundo do Emprego e o IEFP.

Estas entidades, explicou, atuam como verdadeiro front office, apoiando empresas e indivíduos através de instrumentos diversos: crédito, capital de risco, aquisição de equipamentos, programas de formação e iniciativas de internacionalização. Os recursos são transferidos de forma progressiva, condicionados ao cumprimento de metas e indicadores previamente acordados, introduzindo maior rigor e agilidade na execução.

O Fundo Morabeza prevê mobilizar até 156 milhões de euros. Até ao momento, já estão assegurados 24 milhões de euros do Banco Africano de Desenvolvimento, um milhão de euros da cooperação japonesa e uma carta de interesse da União Europeia avaliada em cerca de 60 milhões de euros. Para Milton Paiva, desde abril do ano passado o Fundo tem-se afirmado junto dos parceiros internacionais como um veículo credível e estratégico para a transformação da economia cabo-verdiana, com forte aposta na juventude e na inovação tecnológica.

A assinatura dos memorandos de entendimento – com destaque para o Banco do Jovem e da Mulher, executado pela Pró-Empresa, o Fundo SALTO e o Fundo de Inovação Digital, ambos implementados pela Pró-Capital – representa, segundo o gestor, “um primeiro passo concreto” para garantir o acesso direto dos beneficiários aos recursos, num modelo mais flexível e inovador de implementação.

Com início previsto para abril de 2026 e conclusão em dezembro de 2028, o Projecto de Inovação Morabeza assume-se como uma das apostas estruturantes do Governo para reposicionar Cabo Verde na economia global, ancorando o futuro do país no talento jovem, na tecnologia e na inovação.