O Conselho de Ministros aprovou recentemente as Resoluções n.º 155/2025 e n.º 156/2025, através das quais o Estado de Cabo Verde atribui pensões do Estado, no valor mensal de 75.000 Escudos, a dois irmãos artistas em reconhecimento de uma longa e notável carreira, cujos percursos se confundem com a própria história da música popular Cabo-verdiana
Os beneficiários são Emanuel Maria Dias Fernandes, conhecido como “Zeca di Nha Reinalda”, e José Bernardo Dias Fernandes, conhecido como “Zezé di Nha Reinalda”, figuras incontornáveis da cultura nacional, com um legado artístico inquestionável, transversal e amplamente reconhecido no país e na vasta Diáspora.
Reconhecimento justo a uma vida dedicada à cultura
As resoluções foram aprovadas ao abrigo do n.º 2 do artigo 265.º da Constituição da República, instrumento que permite ao Governo reconhecer, de forma excecional, cidadãos cujo contributo tenha sido relevante para a Nação.
No caso concreto, trata-se de um ato de justiça cultural e histórica, dirigido a dois artistas que dedicaram toda uma vida à preservação, promoção e internacionalização da música Cabo-verdiana, muitas vezes em contextos de grande precariedade social e ausência de proteção formal.
Zeca di Nha Reinalda: 50 anos de carreira e o “Rei do Funaná”
Entre os dois irmãos, destaca-se de forma particularmente simbólica Zeca di Nha Reinalda, unanimemente considerado o “Rei do Funaná”, género musical identitário, de raiz popular, que resistiu ao tempo, às modas e às dificuldades graças, em grande medida, à sua entrega artística.
Recentemente, o artista celebrou 50 anos de carreira com um concerto histórico, verdadeiro momento de consagração pública, que reuniu gerações e reafirmou a centralidade do funaná na identidade cultural cabo-verdiana.
Cultura como património vivo
A atribuição destas pensões representa mais do que um apoio financeiro: é o reconhecimento do valor da cultura como património vivo, construído por homens e mulheres que, sem grandes meios, levaram Cabo Verde ao palco nacional e internacional, formando públicos, influenciando músicos e preservando a memória coletiva.
Num País onde muitos criadores envelhecem sem proteção social adequada, este gesto do Estado assume também um caráter pedagógico e simbólico, ao afirmar que a cultura merece reconhecimento, respeito e dignidade até ao fim da carreira artística.
Um reconhecimento que honra o País
Ao distinguir Zeca e Zezé di Nha Reinalda, o Estado não distingue apenas dois cidadãos: homenageia uma geração inteira de artistas, reafirma a centralidade da música tradicional e honra a história cultural de Cabo Verde.
Trata-se, por isso, de uma decisão amplamente justa, consensual e alinhada com o sentimento nacional.



Homenagem bem merecidas. Os dois irmãos fizeram muito pela cultura Cabo-verdiana e o povo das Ilhas e da diáspora os reconhecem como bem merecedores, sobretudo, para o rei do funaná, que neste momento, sofre com problemas de saúde.
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