Governo vai descontinuar operação do King Air por considerar custos insustentáveis

0

O Governo anunciou ontem, sexta-feira, a decisão de descontinuar a operação da aeronave King Air 360ER, alegando que os elevados custos de manutenção tornaram inviável a sua continuidade

O anúncio desta decisão coube ao ministro dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Integração Regional e da Defesa, Manuel Amante da Rosa, durante o debate parlamentar de ontem.

Segundo o governante, o executivo considera que a aquisição da aeronave constituiu um negócio “muito lesivo” ao Estado de Cabo Verde.

O ministro recordou que o aparelho, adquirido por mais de 22 milhões de dólares, na governação do MpD para patrulhar a Zona Económica Exclusiva e realizar missões de evacuação, sofreu um incidente grave logo no primeiro dia de operação, em abril de 2025, durante um voo de treino, causando danos num motor e numa hélice.

Manuel Amante da Rosa afirmou que o Estado suporta atualmente cerca de 190 mil contos em contratos de manutenção, valor que classificou como incomportável para as finanças públicas. “O Estado não tem como continuar com estes encargos financeiros”, afirmou, explicando que a solução passa por devolver os motores atualmente alugados e suspender a operação da aeronave até que todo o processo seja devidamente esclarecido.

O ministro revelou ainda que os dois motores originais continuam em reparação, um no Canadá e outro na África do Sul, sublinhando que o Governo não dispõe de condições para continuar a suportar os custos do aluguer de motores substitutos.

No mesmo âmbito, anunciou que o executivo vai remeter à Procuradoria-Geral da República vários processos relacionados com a gestão do setor da Defesa, entre os quais o dossiê da venda da aeronave Dornier 228 e de património do Estado em Portugal, por considerar que existem matérias que devem ser esclarecidas pelas autoridades competentes.

Ainda durante a sua intervenção no parlamento, Manuel Amante da Rosa confirmou que o Governo vai avançar com a substituição de embaixadores, sem, no entanto, especificar quais as representações diplomáticas abrangidas. O ministro assegurou que a decisão já foi concertada entre o primeiro-ministro e o Presidente da República.

COMENTE ESTA NOTÍCIA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui