Executivo manifestou preocupação com as novas restrições de vistos impostas pelos Estados Unidos e assegurou que vai trabalhar diplomaticamente para defender os interesses nacionais
O Ministro dos Negócios Estrangeiros, José Luís Livramento, afirmou hoje que o Governo vai negociar com a administração dos Estados Unidos da América as recentes decisões que afetam a mobilidade dos cidadãos Cabo-verdianos, tomadas num espaço inferior a 15 dias.
O Governante explicou que, a 8 de janeiro, Cabo Verde passou a integrar uma lista de 38 países cujos cidadãos, candidatos a vistos B1 e B2, passam a ser obrigados a depositar uma fiança entre cinco mil e 15 mil Dólares a partir de 21 de janeiro. Já no dia 14 de janeiro, o Departamento de Estado Norte-americano anunciou a suspensão da emissão de vistos de imigração para 75 países, incluindo Cabo Verde, abrangendo vistos de trabalho e de reunião familiar, alegando elevados custos sociais.
Face a estas decisões, José Luís Livramento garantiu que o Governo está disponível para trabalhar com as autoridades Norte-americanas com vista à reposição da normalidade nas relações de mobilidade entre os dois países.
O Ministro sublinhou que o Executivo pretende que Cabo Verde seja exceção na lista e recordou que já vinham sendo feitos contatos, incluindo pedidos para o regresso do Corpo da Paz ao País.
O Ministro apelou ainda ao cumprimento rigoroso dos prazos de permanência nos EUA por parte dos cidadãos Cabo-verdianos, salientando que a redução da taxa de permanência irregular abaixo dos 10% é fundamental para sustentar a posição do País junto das autoridades Americanas. Segundo disse, em 2024 cerca de 504 Cabo-verdianos permaneceram nos EUA além do período autorizado.
Questionado sobre eventuais deportações, estimadas em cerca de 300 pessoas, José Luís Livramento assegurou que Cabo Verde está preparado para acolher os seus cidadãos. Apesar de reconhecer tratar-se de decisões soberanas dos EUA, reiterou que o Governo Cabo-verdiano irá defender os interesses nacionais através do diálogo diplomático.



A qualidade do jornalismo nacional deixa muito a desejar, especialmente no que toca à política externa. É irrealista — para não dizer ingénuo — sugerir que Cabo Verde pode alterar o curso das decisões do Trump. Se potências como a China, a Rússia e a União Europeu enfrentam dificuldades em exercer influência, que peso teria o nosso país nesse tabuleiro?
Falta profundidade. Bastaria acompanhar o trabalho de analistas em canais como a SIC, TVI ou RTP para elevar o nível do debate e aprender com quem estuda estes assuntos. Infelizmente, as perguntas dos nossos profissionais assemelham-se, cada vez mais, ao discurso raso das redes sociais. A liberdade de imprensa é total, mas convém lembrar que o público cabo-verdiano é crítico e informado; não somos todos movidos por fanatismo.
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