Gualberto do Rosário desafia CPLP a agir perante crise na Guiné-Bissau

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Cabo-verdiano escreve que se a CPLP “não consegue defender a democracia, é melhor fechar as portas”

O antigo primeiro-ministro de Cabo Verde, Gualberto do Rosário, defendeu hoje, domingo, uma intervenção firme da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) face à crise política e institucional na Guiné-Bissau, questionando a utilidade da organização caso permaneça passiva perante aquilo que considera ser uma rutura da ordem constitucional.

No que configura ser uma posição contundente, Gualberto do Rosário interrogou se a CPLP está disposta a assumir um papel ativo, tanto no plano das relações internacionais como das relações bilaterais, para contribuir para o restabelecimento da normalidade constitucional na Guiné-Bissau.

“Pode a CPLP promover algo, no plano das relações internacionais e bilaterais, para repor a normalidade constitucional na Guiné-Bissau? Deve a CPLP fazer algo? Ou vai imperar a cobardia e a conveniência?”, questionou o antigo chefe do Governo cabo-verdiano numa publicação nas redes sociais.

Para Gualberto do Rosário, a CPLP, de que Cabo Verde faz parte, enfrenta um teste à sua credibilidade enquanto espaço de promoção dos valores democráticos e do Estado de direito. Na sua perspetiva, aceitar como normal uma situação que considera resultar de um golpe de Estado representa um perigoso precedente para toda a comunidade lusófona.

O antigo governante cabo-verdiano manifestou ainda preocupação com a detenção de cidadãos que, segundo afirmou, estão presos “pelo amor desmedido ao seu país”, defendendo que a CPLP não pode permanecer indiferente perante acontecimentos desta natureza.

“É aceitável normalizar um golpe de Estado e a prisão de cidadãos presos pelo amor desmedido ao seu país?”, questionou, antes de lançar um desafio direto à organização.

Na sua conclusão, Gualberto do Rosário foi perentório: “Se a CPLP nada pode ou deve fazer, se não pode fazer o suficiente, se não consegue ser uma âncora democrática, é melhor fechar as portas”.

Na última semana, o presidente do PAIGC, Domingos Simões Pereira, foi novamente conduzido à prisão, sendo alegadamente suspeito da prática de um crime de golpe de Estado.

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