Guerra no Irão não ameaça abastecimento em Cabo Verde

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Garantia é do Diretor Geral da ENACOL, empresa que faz importações a partir do Golfo da Guiné e da Europa Ocidental. Empresa diz não ter exposição ao mercado de gás natural

Apesar da escalada do conflito no Irão e das preocupações internacionais em torno do impacto nos mercados energéticos, Cabo Verde não enfrenta, para já, riscos no abastecimento de gás. A garantia é de Luís Flores, Diretor-Geral da ENACOL, uma das principais empresas responsáveis pelo fornecimento do mercado nacional.

Em declarações citadas esta quarta-feira, pela RCV, o responsável assegurou que a empresa “não tem qualquer exposição, em termos primários, àquilo que está a acontecer no Irão”, sublinhando que o modelo de abastecimento adotado em Cabo Verde afasta o nosso País das rotas mais sensíveis ao atual conflito no Médio Oriente.

Segundo Luís Flores, a importação de gás para o arquipélago é feita a partir do Golfo da Guiné ou da Europa Ocidental, não havendo dependência direta de fornecedores da região do Golfo Pérsico.

“Nós não utilizamos gás natural, utilizamos VPL, um gás líquido feito de petróleo, é um produto refinado. Nós não temos também exposição àquilo que vem a acontecer no mercado Europeu ou no mercado internacional de gás natural”, explicou à rádio pública.

O Diretor-Geral esclareceu ainda que o gás utilizado em Cabo Verde pela ENACOL é o VPL, um derivado refinado do petróleo, diferente do gás natural que tem estado no centro das oscilações de preços nos mercados internacionais, especialmente na Europa.

Planeamento com dois meses de antecedência

Luís Flores destacou que a ENACOL trabalha com um planeamento antecipado, programando o abastecimento de navios com dois meses de antecedência, o que garante uma margem de segurança adicional face a eventuais instabilidades externas.

“Estamos relativamente tranquilos, estamos obviamente a acompanhar de muito perto tudo aquilo que está a acontecer, estamos a falar com os nossos fornecedores, com outros parceiros com quem trabalhamos para garantir que em termos de abastecimento de navios, que é programado com dois meses de antecedência, não haja aqui nenhuma disrupção que venha mais à frente a criar-nos problemas”, afirmou.

O responsável acrescentou que, até ao momento, não há qualquer indicação de perturbações nas cadeias de fornecimento que abastecem Cabo Verde.

Autoridades acompanham situação

A nível institucional, o Governo também está atento à evolução do conflito e aos seus possíveis reflexos no setor energético nacional. O Diretor-Geral da ENACOL revelou ter mantido uma reunião recente com o Ministério da Indústria e Energia, que acompanha de perto o dossiê.

A guerra no Irão tem provocado volatilidade nos preços internacionais do petróleo e do gás, levantando receios de impacto nos países importadores de energia. No entanto, segundo a ENACOL, a estrutura de fornecimento adotada por Cabo Verde e a diversificação das origens das importações colocam o País, para já, numa posição de relativa tranquilidade.