Guerras, clima, desigualdades e reforma da ONU dominam 81.ª Assembleia Geral

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Os conflitos no Médio Oriente, Ucrânia e Sudão, as alterações climáticas, o aumento das desigualdades, a dívida dos países em desenvolvimento, a inteligência artificial e a necessidade de reformar as Nações Unidas estiveram entre os grandes temas que marcaram a semana de alto nível da 81.ª Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque

Sob o lema “Restaurar a confiança, gerir a transformação: uma ONU que funciona para todos”, líderes mundiais convergiram na necessidade de respostas para uma conjuntura internacional marcada por guerras, tensões geopolíticas, dificuldades económicas e crescente pressão sobre o sistema multilateral.

Os conflitos armados ocuparam parte significativa das intervenções. Gaza e o futuro da Palestina, a guerra na Ucrânia, o Sudão, Myanmar e outras crises no Médio Oriente e em África voltaram a expor as profundas divisões entre as grandes potências e as limitações do Conselho de Segurança, sobretudo perante o recurso ao direito de veto. O secretário geral da ONU, António Guterres, defendeu o fim dos conflitos, reafirmou a solução de dois Estados para israelitas e palestinianos e considerou a invasão russa da Ucrânia uma violação da Carta das Nações Unidas.

A intervenção de António Guterres, a última perante o debate geral enquanto secretário-geral, constituiu um dos momentos marcantes do encontro. O responsável identificou quatro grandes desafios mundiais: guerra e paz, desigualdade, alterações climáticas e inteligência artificial, defendendo maior cooperação internacional e uma profunda reforma das instituições multilaterais.

As diferentes prioridades nacionais ficaram igualmente evidentes. Os Estados Unidos defenderam a sua estratégia de política externa e uma abordagem mais centrada nos interesses nacionais, enquanto a Ucrânia voltou a pedir maior pressão internacional sobre a Rússia. Países africanos colocaram em primeiro plano a dívida, o financiamento do desenvolvimento, a segurança, os conflitos no continente e uma representação permanente de África no Conselho de Segurança.

Para os Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento, ganharam especial destaque a subida do nível do mar, o acesso ao financiamento climático, a vulnerabilidade económica e a necessidade de critérios internacionais que não avaliem o desenvolvimento exclusivamente através do rendimento por habitante. Cabo Verde participou neste debate, com uma delegação liderada pelo primeiro-Ministro, Francisco Carvalho, alertando para os efeitos da subida do nível do mar sobre comunidades, infraestruturas, recursos hídricos, ecossistemas, economia e património.

A inteligência artificial surgiu também como um dos novos grandes assuntos da agenda internacional. O SG da ONU pediu regras multilaterais e mecanismos de supervisão dos riscos associados à tecnologia, enquanto persistiram divergências entre países sobre a dimensão e o modelo dessa regulação.

A semana ficou ainda marcada por reuniões específicas sobre ação climática e transição justa, subida do nível do mar, prevenção de futuras pandemias, Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e direito ao desenvolvimento, reforçando a ligação entre segurança, economia, saúde e ambiente.

No balanço, a 81.ª Assembleia Geral deixou patente um mundo profundamente dividido, mas também uma pressão crescente para adaptar a ONU às realidades do século XXI. A reforma do Conselho de Segurança, maior representação de África, financiamento mais justo para os países em desenvolvimento e recuperação da capacidade das Nações Unidas para responder às crises internacionais emergiram como algumas das reivindicações mais recorrentes.

A semana de alto nível terminou ontem, mas a 81.ª sessão da Assembleia Geral não terminou formalmente. O debate geral decorreu entre 22 e ontem, 26 de setembro, e prossegue na segunda-feira, dia 28, estando ainda prevista, para o dia 29, terça-feira, uma reunião de alto nível sobre a eliminação total das armas nucleares.

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