Foram dois decretos presidenciais em menos de 24 horas, demitindo atual Governo e nomeando outro. Guiné-Bissau tem no momento dois Presidentes e militares ocupam instituições do Estado
A consequência da tomada de posse, simbólica, de Umaro Sissoco Embaló, na passada quinta-feira, 27, está a dar o que falar dentro e fora da Guiné-Bissau.
O Presidente eleito, em menos de 24 horas tomou duas decisões que mexeram com as estruturas do Estado. Primeiro demitiu o Governo de Aristides Gomes, depois nomeou Nuno Nambian como novo Chefe do Executivo.
A situação agudizou ainda mais quando o Presidente da Assembleia Nacional Popular, Cipriano Cassamá, tomou posse na noite desta sexta-feira como Presidente interino, numa sessão no Parlamento, depois de Umaro Sissoco Embaló ter demitido Aristides Gomes do Governo.
Essa decisão do Presidente do Parlamento levou com que os militares “invadissem” várias instituições do Estado, nomeadamente o Supremos Tribunal de Justiça, os Órgãos da Comunicação Social do Estado, Palácio do Governo, entre outros. A única instituição que por ora não foi invadida é a Assembleia Nacional Popular.
A instabilidade é grande, mas a situação nas ruas parece estar calma, pelo menos é o que garantiu uma Jornalista Bissau-guineense à RCV. De acordo com essa profissional da Comunicação Social, os militares dizem ser do batalhão do Presidente da República.
Aristides Gomes, PM demitido, que disse não acatar o decreto de Umaro Sissoco, denunciou um golpe de Estado em curso, enquanto Domingos Simões Pereira, adversário de Sissoco Embalo nas presidenciais, considerou que a situação “não dignifica o processo democrático” e que o povo Guineense não merecia mais esta crise política.


