Guterres alerta para “nova e preocupante” corrida às armas nucleares

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Secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, alertou nesta terça-feira, 26, para um possível aumento dos arsenais nucleares, numa “nova e preocupante corrida armamentista” não registada há décadas, com armamento mais “rápido, preciso e furtivo”

Numa reunião plenária de alto nível para promover o dia Internacional para a Eliminação Total das Armas Nucleares, Guterres lembrou a “verdade fundamental” de que a única maneira real de impedir o uso de armas nucleares “é eliminá-las”.

“Qualquer utilização de uma arma nuclear, a qualquer hora, em qualquer lugar e em qualquer contexto, desencadearia uma catástrofe humanitária de proporções épicas, “isto não é uma hipérbole”.

Na reunião, na sede da ONU em Nova Iorque, o ex-Primeiro-ministro Português apontou que as normas duramente conquistadas ao longo dos anos para impedir a utilização, propagação e testes de armas nucleares “estão a ser minadas” e que a arquitetura global de desarmamento e não-proliferação está a “desgastar-se”.

“Os arsenais nucleares estão a ser modernizados para tornar estas armas mais rápidas, mais precisas e mais furtivas. Devemos reverter este curso”, apelou.

De acordo com o Líder das Nações Unidas, devem ser os Estados com armas nucleares a liderar o caminho, cumprindo as suas obrigações de desarmamento e comprometendo-se a nunca utilizar armas nucleares em nenhuma circunstância.

Também instou ao reforço e reafirmação dos compromissos com o regime de desarmamento e não-proliferação nuclear construído ao longo de décadas, incluindo os Tratados de Não Proliferação de Armas Nucleares e a Proibição de Armas Nucleares e o Tratado de Proibição Total de Testes Nucleares.

“Em nome de todas as vítimas de testes nucleares, apelo a todos os Países que ainda não ratificaram o Tratado para que o façam sem demora, e para aqueles Estados que possuem armas nucleares garantam uma moratória sobre todos os testes nucleares”, disse.

Por fim, Guterres defendeu a redistribuição de “ferramentas intemporais” como o diálogo, a diplomacia e a negociação para aliviar as tensões entre Estados e acabar com a ameaça nuclear.