Há vida para além da política (dixit UCS)

Foi este o título da entrevista concedida por Ulisses Correia e Silva ao jornal público, após os resultados das eleições legislativas de 17 de maio.

Sem entrar no mérito material ou metafórico da entrevista, que considero sublime pela dimensão humana e política que encerra, importa reconhecer a estatura do homem e do estadista que conduziu com sapiência os destinos de Cabo Verde durante uma década.

Com a sua decisão de renunciar a liderança do MPD, abre-se agora uma nova página da história do partido. Uma página que será escrita pelos militantes, através de um exercício democrático que culminará na eleição de uma nova liderança.

Pelo menos, quatro ilustres figuras perfilam-se para assumir o leme desta grande força política. Caberá aos militantes analisar as suas plataformas, avaliar os seus percursos e, em consciência, decidir a quem confiar o futuro do partido.

O MPD só pode sentir orgulho perante a qualidade dos quadros que se disponibilizam para esta missão. Eu próprio sinto-me orgulhoso, honrado pelos contactos e reconhecimento demonstrado por todos os putativos candidatos a minha pessoa.

Falar de MENO enche-me de alma e candura. Falar de PAULO VEIGA inflame-me o coração. Falar do LUÍS FILIPE desafia os meus neurônios e falar do ORLANDO é recordar a firmeza estoica de um guerreiro que permanece presente na memória e na consideração dos militantes.

É precisamente por respeito a todos eles que, enquanto militante responsável, procurarei pautar a minha conduta pela elevação ética, pela elegância e pelo sentido de unidade. Não será da minha parte que surgirão discursos de divisão, fricção ou rupturas desnecessárias.

O momento exige serenidade. Exige prudência, clarividência e sapiência. Exige que cada militante compreenda a responsabilidade que carrega nos ombros nesta ingente tarefa da renovação do partido.

A reunião da Direção Nacional, marcada para o próximo dia 6 de junho, será determinante para a definição dos próximos passos. Até lá, aguardarei com serenidade as orientações e decisões que dela resultarem, sempre em conformidade com os princípios estatutários do partido e informarei do meu apoio.

Este não é um tempo de luto pela derrota eleitoral. É um tempo de luta para nos reerguemos. Porque a grande lição da vida e da política não é nunca cair; mas saber levantar-se sempre depois de cada queda.

Afinal, somos os Flagelados do Vento Leste.

Que da reunião do próximo sábado saiam decisões sábias, ponderadas e agregadoras. Que prevaleça a unidade, o sentido de missão e que as bases tenham cada vez mais vez e voz na construção deste nosso grande partido.

O MPD já venceu muitos desafios e saberá mais uma vez, encontrar o caminho da renovação, da esperança, da confiança em novas vitórias num horizonte próximo.

MPD sempre e viva os putativos candidatos!

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