Hakeem Jeffries, bisneto de cabo-verdiano natural da ilha do Fogo, poderá ser o primeiro negro a presidir à Câmara dos Representantes dos EUA

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Os democratas recuperaram o controlo das duas câmaras do Congresso norte-americano — o Senado e a Câmara dos Representantes — nas eleições intercalares realizadas ontem, terça-feira. Com esta vitória, Hakeem Jeffries, deputado por Nova Iorque, surge como o principal favorito à presidência da Câmara dos Representantes, a partir de janeiro de 2027

Donald Trump enfrentará, assim, os dois últimos anos do seu mandato com um Congresso dominado pela oposição. Se for eleito, Jeffries fará história ao tornar-se o primeiro negro a ocupar o cargo, passando a ser a segunda figura na linha de sucessão presidencial, logo após o vice-presidente dos Estados Unidos

Hakeem Jeffries passou quatro anos a liderar os democratas numa Câmara dos Representantes controlada pelos republicanos. A vitória do seu partido nas eleições intercalares de 3 de novembro coloca-o agora em posição de decidir que propostas de lei chegam a votação e de conduzir a fiscalização parlamentar do Governo de Donald Trump. Se os deputados o elegerem em janeiro, será o primeiro negro a presidir à Câmara desde que esta se reuniu pela primeira vez, em 1789.

Na noite eleitoral, Jeffries identificou uma das primeiras disputas que pretende levar ao Congresso. O líder democrata prometeu trabalhar para reverter os cortes aprovados em 2025 no Medicaid, o programa público de saúde que abrange milhões de norte-americanos de baixos rendimentos e pessoas com deficiência. O custo de vida, com destaque para as despesas de saúde e habitação, deverá ocupar um lugar central na agenda da nova maioria.

Aos 56 anos, Jeffries conhece os dois lados da relação com a Casa Branca. Advogado, nascido em Brooklyn e deputado por Nova Iorque desde 2013, ajudou a aprovar uma reforma da justiça penal que Trump promulgou em 2018. Dois anos depois, foi um dos sete deputados encarregados de apresentar no Senado a acusação contra o Presidente no seu primeiro processo de destituição.

A dimensão final da maioria democrata continuava por apurar esta quarta-feira, 4 de novembro. A margem importa para Jeffries, que terá de reunir os votos de uma bancada dividida em matérias como a saúde universal e a política dos EUA para Israel. Os democratas deverão escolher ainda este mês o seu candidato à presidência da Câmara. A decisão formal caberá ao plenário em janeiro, já com os 435 deputados da nova legislatura.

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