O antigo deputado do MpD, Hélio Sanches, afirmou que uma eventual candidatura sua às eleições presidenciais só fará sentido com o apoio expresso do seu partido
O político defendeu uma candidatura única da área do MpD, considerando que está melhor posicionado para disputar a Presidência da República e anunciou que pretende dialogar com as também pré-candidatas Janine Lélis e Joana Rosa para procurar um consenso.
Na entrevista que deu à RCV, Hélio Sanches afirmou que não avançará para a corrida presidencial sem o respaldo do MpD, sustentando que o partido atravessa um momento que exige reorganização e renovação, após a derrota nas últimas eleições legislativas.
Segundo o antigo deputado, uma candidatura presidencial apoiada pelo MpD poderá contribuir não apenas para o fortalecimento da formação política, mas também para o país. Hélio Sanches descreveu o MpD como “o maior partido” cabo-verdiano, apesar do recente revés eleitoral.
Quanto às pré-candidatas Janine Lélis e Joana Rosa, Hélio Sanches considerou que ambas deveriam permanecer no parlamento, lembrando que foram eleitas deputadas da nação há pouco tempo. Na sua perspetiva, abandonar o mandato poucos meses depois para concorrer à Presidência suscita uma questão de natureza ética, embora reconheça que ambas têm o direito de se candidatarem.
O advogado afirmou ainda que acredita ser o candidato “mais bem posicionado”, argumentando que mantém diálogo com diferentes setores da sociedade e com personalidades de vários partidos políticos, incluindo do PAICV, que, segundo disse, manifestam incentivo para que avance com uma candidatura.
Apesar das diferenças de posicionamento, Hélio Sanches anunciou que pretende reunir-se com Janine Lélis e Joana Rosa na tentativa de alcançar uma candidatura consensual. Na sua opinião, uma dispersão de candidaturas na mesma área política reduziria as possibilidades de sucesso eleitoral.
Sobre uma eventual recandidatura do atual Presidente da República, José Maria Neves, Sanches afirmou que não pretende fazer comentários enquanto o Chefe de Estado não anunciar oficialmente se será ou não candidato, dizendo tratar-se de uma questão de ética.
Posição de Casimiro de Pina
Entretanto, o também assumido candidato à Presidência da República, Casimiro de Pina, reagiu ao anúncio das pré-candidaturas de Janine Lélis e Joana Rosa através de uma publicação nas redes sociais. No texto, criticou o silêncio das duas responsáveis perante aquilo que considera ter sido “a pior violação da Constituição da República” por parte do Presidente José Maria Neves, questionando a sua defesa dos valores constitucionais. Casimiro de Pina afirmou ainda que a ausência de reação demonstra falta de cultura constitucional e levantou dúvidas sobre a credibilidade das candidaturas apresentadas.


