O Hospital Universitário Agostinho Neto promoveu uma Jornada Médica dos Serviços de Urgência, no TechParkCV, na cidade da Praia, sob o lema “Resposta Rápida, Decisão Certa e Desafios”, reunindo profissionais de saúde para reflexão, partilha de experiências e atualização científica sobre os principais desafios enfrentados nos serviços de urgência em Cabo Verde.
Segundo os organizadores, esta primeira edição pretende reforçar a ligação entre a atividade assistencial diária e a componente científica, promovendo uma abordagem mais moderna, integrada e eficaz no atendimento de urgência.
Durante a jornada, os profissionais fizeram um balanço da elevada procura dos serviços de urgência, analisando as patologias mais frequentes e os desafios enfrentados por médicos e enfermeiros no quotidiano hospitalar. A organização destacou que, nos últimos anos, o serviço deixou de ter apenas uma vertente assistencial, passando também a apostar fortemente na formação, através da integração de estudantes e jovens médicos.
Os responsáveis consideram que esta aposta tem contribuído para uma melhoria contínua da qualidade da assistência, incentivando a atualização constante dos profissionais e a troca de conhecimentos entre diferentes gerações de médicos e enfermeiros.
Um dos pontos de destaque do evento foi a introdução do debate sobre inteligência artificial aplicada à medicina e à abordagem clínica. A jornada contou com intervenções ligadas às tecnologias de informação, numa perspetiva de preparação do sistema de saúde para os desafios do futuro.
Os organizadores defendem que a integração entre saúde, tecnologia e inteligência artificial poderá representar um importante avanço na capacidade de resposta clínica e na eficiência dos serviços de urgência.
A iniciativa serviu igualmente para alertar a população sobre o uso adequado dos serviços de urgência. Os responsáveis chamaram atenção para o facto de muitos cidadãos recorrerem às urgências sem situações efetivas de emergência, contribuindo para a sobrecarga do sistema.
Como exemplo, foram referidas situações realmente urgentes, como enfarte agudo do miocárdio ou traumatismos graves, que implicam risco de falência de órgãos e necessitam de atendimento imediato. Em contrapartida, situações crónicas, como tosse persistente, devem ser acompanhadas noutros níveis do sistema de saúde e não necessariamente nas urgências hospitalares.
A jornada contou com a participação de médicos ligados aos serviços de urgência e de profissionais de outros setores hospitalares que também intervêm na resposta a situações emergentes.


