Cabo Verde despediu-se da Copa do Mundo, na última noite, de cabeça erguida, mas ganhou o respeito (também) da imprensa internacional ao protagonizar um dos jogos mais emocionantes da competição
Apesar da derrota por 3-2, após prolongamento, diante da atual campeã mundial, Argentina, os principais meios de comunicação internacionais destacam a coragem, a organização e a capacidade dos Tubarões Azuis de colocarem uma das maiores potências do futebol mundial à beira da eliminação.
A Agência Reuters descreveu o encontro como um “thriller” e sublinhou que a Argentina precisou de um autogolo de Diney Borges, aos 109 minutos, apenas no segundo tempo do prolongamento para afastar uma seleção cabo-verdiana que recuperou por duas vezes da desvantagem. A publicação enaltece a estreia histórica de Cabo Verde numa Copa e considera que a equipa de Bubista “impressionou pela resiliência e qualidade ofensiva”, conquistando admiradores muito para além das suas fronteiras.
Em Espanha, o jornal Marca escreveu que a Argentina evitou “o maior milagre da história dos Mundiais”, enquanto o argentino Olé resumiu a qualificação albiceleste com a manchete “Por uma cabeça”, numa referência ao enorme sofrimento vivido pelos campeões do mundo. Já o Clarín destacou que a seleção argentina garantiu o apuramento “com puro sofrimento”.
No Reino Unido, o The Guardian afirmou que Cabo Verde deu um “enorme susto” à Argentina, salientando as exibições do guarda-redes Vozinha e de Sidny Cabral, autor do segundo golo cabo-verdiano, numa partida considerada uma das mais empolgantes da fase a eliminar.
Mesmo na Argentina, o discurso foi de reconhecimento pelo valor do adversário. Após o encontro, Lionel Messi admitiu que a sua equipa mostrou “muitas coisas más”, criticando a perda de controlo do jogo e reconhecendo as dificuldades criadas pelos Tubarões Azuis.
Também o selecionador argentino, Lionel Scaloni, elogiou a formação cabo-verdiana, considerando que a sua equipa enfrentou um adversário extremamente competitivo e difícil de ultrapassar. Do lado cabo-verdiano, Bubista classificou a campanha como um momento histórico para o futebol nacional, destacando a personalidade demonstrada pelos seus jogadores diante da campeã do mundo.
Embora a aventura de Cabo Verde termine nos 16 avos de final, a imagem deixada no Mundial é amplamente positiva. A seleção nacional, estreante na competição, sai com o reconhecimento da imprensa internacional por ter transformado o estatuto de estreante numa das grandes histórias do Campeonato do Mundo de 2026.


