Incêndio na Telecom. CVT colocou interesse nacional em primeiro plano e não a lógica da concorrência

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Afirmação é do Ex- PCA da Cabo Verde Telecom, reagindo às afirmações do ativista do PAICV, Mário Matos, mostrando que foi a própria CVT quem viabilizou a Internet e os serviços nas restantes Ilhas da concorrente Unitel T+, também afetados pelo incêndio

O “blackout” registado em Cabo Verde, na sequência do incêndio que na noite de sábado, 11, afetou a empresa CVT, está a ter novos desenvolvimentos. Após as justificações da CVT, primeiro na voz do seu o Diretor de Engenharia e Investimentos, seguiu-se uma comunicação oficial do PCA do Grupo, em que João Domingos Correia admite que todas as possibilidades são levadas em conta, inclusive a possibilidade de mão criminosa.

Ora, a partir de Lisboa, onde reside, o conhecido ativista do PAICV, Mário Matos, tenta politizar o incêndio na maior empresa de telecomunicações do País. Mas teve logo resposta de um quadro sénior da CVT que até há poucos dias chefiou o Grupo CVT.

A crítica

Numa publicação na rede social Facebook, Mário Matos refere a uma “situação grave” que no seu entender “só não foi de piores consequências, porque a Unitel T+, prontamente entrou em campo, proporcionando serviços de telefone fixo, telemóvel e Internet”.

Para o articulista, é aquela operadora privada que “salvou o País” de uma situação “muito mais complicada, até do ponto de vista de segurança”.

Na sua publicação, o antigo governante do PAICV alega que a Unitel T+, enquanto empresa privada, “acedeu” ao mercado nacional de telecomunicações, “dantes (do) monopólio” da CVT. Aqui, ele atribui louros ao seu amigo e camarada José Maria Neves, então primeiro-ministro.

Para Matos, o acidente ocorrido na CVT “jamais deveria ter sido tratado pelo Governo como se fosse um problema apenas da empresa”, mas não se inibe de acusar o Governo de “mutismo” e de deixar a CVT com a “responsabilidade” de informar os Cabo-verdianos sobre o sucedido.

A crítica do articulista é também dirigida à própria CVT, acusada de “não tratar bem” os seus clientes.

Mário Matos minimiza o fato de o posicionamento da CVT ocorrer, em primeiro lugar na voz do seu Director de Engenharia e Investimentos.

A resposta

A publicação mereceu, pronta resposta do anterior PCA da empresa. José Luís Livramento fala em “duas tentativas furadas” de Mário Matos e desmonta a estratégia do militante do PAICV.

“Para seu esclarecimento, a Unitel T+ foi afetada, tal como a CVMóvel ou a CVMultimédia”, explicou Livramento, observando que a operadora privada apenas se reconectou, em tempo célere, porque a CVT “priorizou” esta via, colocando o interesse nacional em primeiro plano e não a lógica da concorrência.

“Para a Unitel T+ chegar a qualquer Ilha, o seu sinal é transportado pela CVTelecom, através de equipamentos denominados de DWDN e IP/MPLS. O que a CVTelecom fez, foi priorizar o levantamento destes equipamentos. Poderia não o ter feito, priorizando outros equipamentos, por exemplo, da CVMóvel e só no fim, fazer o levantamento destes equipamentos. Neste caso, até o momento, a Unitel T+ estaria totalmente não funcional em todas as outras Ilhas, com exceção de Santiago”, explicou na sua publicação em resposta à posição de Matos.

O antigo PCA da CVT adianta, no entanto, que a “haver um louvor, ele é da CVTelecom que soube priorizar um grande cliente, mesmo sendo um concorrente a nível do retalho”, enfatizou.

José Luís Livramento considera, no entanto, que atribuir louros ao antigo PM, JMN não faz sentido e contraria: “a negociação da Senhora Isabel dos Santos foi com o então dono da T+. Quem vendeu, foi o anterior dono e não o Senhor José Maria Neves. O que fica a nu, são as benesses dadas nessa sequência, caso do monopólio das comunicações móveis do Estado e do M-Konecta. Tudo, como dizem os murmúrios que correm por aí, numa estratégia de matar a CVTelecom em proveito do outro”, postou.

Livramento sugere mesmo ao articulista que, ao em vez de “fazer sobressair o vulto” de JMN ele está a “trazer questões que só o prejudicam” ao colar o antigo PM a “certos rumores negativos” da praça.

Cabo Verde esteve praticamente sem conexão desde a noite de sábado, ainda persistem alguns contratempos, nomeadamente, com o serviço de telefone fixo e móveis, mas a CVT garante estar a envidar esforços para repor a normalidade do serviço, a nível nacional.