IPIAAM aponta falhas técnicas e omissões humanas no naufrágio do Nho Padre Benjamin

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Segundo o relatório, o armador e a tripulação sabiam que o navio tinha infiltrações na popa, um problema antigo que não foi resolvido, mesmo após reparações em Dakar, e, ainda assim, a embarcação voltou a operar

O relatório final do Instituto de Prevenção e Investigação de Acidentes Aeronáuticos e Marítimos (IPIAAM) conclui que o afundamento do navio Nho Padre Benjamin resultou de uma sucessão de falhas e omissões por parte de vários intervenientes. O incidente ocorreu em abril do ano passado, nas proximidades de Preguiça, na Ilha de São Nicolau.

De acordo com o documento, tanto o armador como a tripulação tinham conhecimento de que a embarcação apresentava infiltrações de água na popa, um problema antigo que persistiu mesmo após intervenções realizadas em doca seca, em Dakar. Ainda assim, o navio voltou a operar sem que a anomalia tivesse sido devidamente solucionada.

O relatório indica que o capitão decidiu prosseguir viagem, apesar de a limitação de carga imposta não ter sido suficiente para corrigir o problema de caimento na parte traseira da embarcação. A situação agravou-se com a emissão do desembaraço e da autorização para navegação antes de se verificar se todas as condições de segurança estavam efetivamente asseguradas — o que, segundo o IPIAAM, não se confirmava.

Entre as falhas apontadas consta também a ausência de testes após os reparos efetuados em Dakar, nomeadamente para avaliar a capacidade de vedação da popa e para verificar a qualidade das soldaduras realizadas no fundo do navio.

O IPIAAM conclui que a conjugação dessas falhas técnicas e decisões operacionais inadequadas contribuiu diretamente para o naufrágio.

Recorde-se que, na sequência do afundamento do Nho Padre Benjamin, toda a tripulação foi resgatada com vida.