Janira Almada, “matriochka” e falsas expectativas

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Um dos símbolos da cultura popular russa é a célebre matriochka, um brinquedo, de feição cilíndrica, que consiste em reunir várias bonecas de tamanho variável umas dentro das outras.

          

Existe até um museu da matriochka em Moscovo.

É uma imagem perfeita para se caracterizar o PAICV e, especialmente, a forma de agir da sua actual liderança, que talvez nunca tenha lido Marx e Lenine mas interiorizou, por osmose, e por uma espécie de “esprit de corps”, os métodos do materialismo dialéctico.

A matriochka é feita de madeira oca, artesanalmente.

É assim também que a sra. Janira Almada costura os seus discursos.

É tudo uma imensa fachada, escondendo vários objectivos interiores.

A técnica de fundo é, afinal, a velha dezinformatsiya.

Vejam o seu perverso slogan de campanha: “Um Cabo Verde para todos”.

O lampejo é maquiavélico.

Ora, o PAICV nasceu sob o signo da violência, da discriminação e do vanguardismo intolerante dos “melhores filhos da nossa terra”.

Nunca foi, na verdade, um partido inclusivo.

Fala bastante em nome do “povo”, mas no sentido marxista-leninista da expressão.

O povo, para eles, sempre foi a “vanguarda iluminada”.

Não se deixem enganar.

A dra. Janira não tolera o pensamento divergente, nem no interior do seu próprio partido, razão pela qual cedo arrumou, num cantinho insignificante, Filú e os seus prosélitos e camaradas.

Ali reina, sem dúvida, o total unanimismo.

Por outro lado, nunca se fez o corte com a ideologia revolucionária.

O muro de Berlim caiu e entretanto…tudo acabou em pizza!

Janira não aceita o papel fundante da Constituição de 1992 e a sua axiologia personalista, adveniente do “conceito ocidental de Constituição”.

Pelo contrário: saúda os seus colegas de partido à moda dos primeiros socialistas alemães, usando, orgulhosamente, a expressão camarada (do alemão kamrade).

Os bolcheviques russos perfilharam, desde 1917, uma saudação equivalente: továrisch.

Os ingénuos e pouco familiarizados com a dialéctica marxista poderão pensar que se trata de algo secundário, periférico, isto é, uma “inofensiva” relíquia de outros tempos.

E limitam-se, então, a esboçar um simples sorriso de bonomia.

Estão, porém, redondamente enganados.

É uma mística fundamental.

Továrisch kamrade são empregues em vez do termo cidadão, que os revolucionários esclarecidos não aprovam, porque isso implica, desde logo, a existência de um estatuto independente e de liberdades inatas e até supra-estaduais.

Para eles, o que importa é sobretudo o vínculo ao partido-guia, dotado, claro está, de virtudes miríficas e capaz de realizar, num ápice, o “paraíso na terra”.

Ouçam com atenção os discursos de Janira Hopffer Almada.

Aquilo não é um mero discurso político: é, em cada sílaba pronunciada pela dita, uma pregação messiânica. Um salto de fé.

Despreza-se a natureza experimental e relutante da democracia.

O tom é agressivo, mistificador, pouco rigoroso, lembrando as Teses de Abril subscritas por Vladimir Lenine após o seu regresso da Suíça.

Janira julga que está a falar para os seus operários de Petrogrado, confortada pelos aplausos rutilantes do seu fanático Comité Central!

É a fantasia que engendra o esquecimento.

A realidade não conta.

E por isso promete para 2021 aquilo que não conseguiu realizar durante oito anos, quando fez parte, sem quaisquer resultados, do “governo” de José Maria Neves, o rei da estagnação em tempos internacionais favoráveis.

A juventude cabo-verdiana conhece a inércia de Janira.

E sabe que bons ventos não sopram naquele Comité de propaganda.

É essa mentira que deve ser derrotada no dia 18 de Abril.

Não precisamos de fantasias construídas com madeira oca e vazia.

Os cabo-verdianos devem apostar em quem conhece a Filosofia da Liberdade e sabe que o desenvolvimento é, como explicava Amartya Sen, “um tremendo compromisso com as liberdades”.

É isso que faz a prosperidade das nações.

3 COMENTÁRIOS

  1. Espera aí: a mulher me diz que o país está super endividado, ainda assim a mulher vai fazer três coisas, altamente perniciosas para as contas públicas: a. Acabar com a CVA, pagar as indenizações aos parceiros e muitas avultadas e recriar a TACV, comprando novos aviões e recrutar milhares de funcionários; b. Acabar com a CInterilhas, pagar indenização, comprar novos barcos; c. Acabar com a TICV, mandar os espanhóis embora, pagar indenização, contratar novos funcionários e empregos para todo mundo, leia-se todos os militantes. Tudo isso, sem elevar a dívida pública e ainda sobram recursos para portos, aeroportos, estradas, hospitais, propinas.

  2. O Doutor Casemiro tem toda a razão em alertar, em relação às mentiras da Sra Janira, temos todos que estar atentos pois os objectivos d’esta Sra é chegar ao Poder enganando o Povo com as suas mentiras.

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