JHA tenta condicionar a Justiça, vitimiza-se, denuncia buscas e lança suspeitas

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Janira Hopffer  Almada, JHA, deputada nacional recorreu às redes sociais para denunciar supostas buscas iminentes à sua residência, locais que frequenta e até ao gabinete parlamentar que ocupa. No texto, afirma que essas diligências estariam alegadamente relacionadas à sua proximidade com Francisco Carvalho, candidato a Primeiro-Ministro.

O caso não passa despercebido, não apenas pelo tom inflamado e dramático da mensagem — recheada de maiúsculas e exclamações — mas sobretudo pelo que deixa a descoberto: como pode uma parlamentar ter conhecimento antecipado de eventuais diligências judiciais, que em princípio estariam cobertas pelo segredo de justiça?

Vitimização como narrativa

No longo texto, a deputada insiste em se apresentar como alvo de perseguição. Afirma que “não acredita” nas buscas porque confia que ainda existem pessoas sérias no país, mas ao mesmo tempo descreve em detalhe o alegado aparato e até a cobertura mediática que, segundo ela, estaria já preparada.

A contradição é evidente: quem não acredita, não antecipa com tanta minúcia. E quem confia na Justiça, não lança suspeitas de que o Estado de Direito possa estar a ser subvertido para “travar” adversários políticos. O recurso à vitimização, em plena conjuntura pré-eleitoral, soa menos a defesa de direitos e mais a construção de um escudo político.

A questão mais grave — informação privilegiada

Se tudo não passar de boato, estamos perante mera especulação transformada em espetáculo público. Mas se houver algum fundamento, a questão é ainda mais séria: de onde vêm essas informações?

Numa democracia, diligências judiciais devem ser conduzidas com rigor e discrição. Se uma deputada as anuncia previamente nas redes sociais, coloca-se a suspeita de acesso privilegiado a dados sensíveis, o que mina a confiança nas instituições.

Esse é o verdadeiro ponto de alarme: não a alegada busca em si, mas o risco de erosão da credibilidade da Justiça, que não pode ser transformada em palco de vitimização política.

Rumores, boatos e o desgaste do debate público

A deputada aproveitou ainda para responder a acusações sobre negócios imobiliários envolvendo terrenos, classificando-os de calúnia e difamação. Mas, em vez de apresentar provas ou deixar que as instituições apurem os factos, preferiu alimentar a narrativa de que estaria a ser vítima de um “assassinato de carácter”.

O resultado é um discurso que desvia o debate público dos problemas concretos do país para o terreno pantanoso dos boatos, onde cada palavra é medida não pela verdade que contém, mas pelo impacto que pode gerar nas redes sociais.

Proteger as instituições, não fragilizá-las

O país enfrenta um momento decisivo. As eleições aproximam-se e o clima de confronto tende a intensificar-se. Nesse contexto, mais do que nunca, a Justiça deve permanecer firme, impermeável a pressões e imune a manipulações.

As instituições não podem ser arrastadas para o jogo da vitimização nem colocadas sob suspeita por discursos de ocasião. É nelas que reside a garantia da democracia e do Estado de Direito. Não se combate a alegada instrumentalização da Justiça fragilizando-a ainda mais. Não se defende a democracia erguendo-se como vítima antecipada de atos que nem sequer ocorreram.

Em democracia, quem não deve, não teme. E quem respeita as instituições não as instrumentaliza para se proteger do escrutínio.