Obrigado senhor Presidente!
Nada se consegue sem luta!
Nesses oito meses passados, o país parou e viveu uma crise institucional dramática e sem precedentes! Crise essa da responsabilidade exclusiva do mais alto magistrado da Nação.
Os cabo-verdianos e o mundo acompanharam tudo o que foi dito, escrito e feito! E isto provocou, como é evidente, imensos danos à República de Cabo Verde! Danos na imagem interna e externa de Cabo Verde e danos na imagem das instituições.
Afinal, agora pelos vistos, tudo foi dito e escrito sem motivos e sem necessidade! Afinal, tudo o que foi dito e escrito pelos principais protagonistas não eram verdades e eram apenas tentativas de desculpas e de ensaios, para ver se se podia desvirtuar os factos e esconder as verdades. A Nação resistiu e deu combate. Agora, tudo ficou claro e as verdades foram repostas. Mas, os danos à Nação não podem ser descurados! Afinal, tudo foi mal feito, tudo foi feito sem o suporte legal e as responsabilidades são apenas do Presidente da República, mais alto magistrado da Nação!
Porém, as curas e a reparação dos danos não desaparecem com uma simples declaração ou comunicação. Por lei, os danos à República não desaparecem com a confissão do Presidente da República. Os danos da imagem de Cabo Verde são profundos e estão aí vivos ! Foram duros oito meses de permanente sobressaltos e de invasão de comunicados e ofensas aos cidadãos e instituições.
A Justiça tem as suas responsabilidades constitucionais e legais. E uma vez mais a República demonstrou que ninguém está acima da Constituição e das leis. Esta foi a primeira grande vitória da Constituição de 1992. Foi uma vitória doce e saborosa e um exemplo dado ao mundo que aqui quem manda não é a vontade das pessoas, sejam elas quem forem, sejam eles quais forem os seus caprichos, e que aqui quem manda é o império da vontade constitucional. E isto é de uma importância fundamental. O império da lei é a base do nosso sistema politico. É a vitória do Estado de Direito Democrático! E o mundo assistiu de perto essa vitória!
Assim, apesar de respeitarmos a contrição do Presidente da República, o que não deixa de ter a sua importância relativa, como manda a lei, as autoridades devem continuar a cumprir as leis da República e continuar a cumprir as suas obrigações constitucionais e legais.
Ninguém está a pedir nada demais. Pede-se o cumprimento da Constituição e das leis da República.
O Presidente JMN confessou os crimes, as ilegalidades, terá devolvido parte do dinheiro ilegalmente retirado dos cofres públicos, mas não se ouviu, entretanto, como se esperava, uma palavra sequer de desculpa pública à Nação e aos órgãos e seus titulares que foram publicamente ofendidos e acusados! Nada se consegue sem luta!
Tudo seria completamente diferente, se a comunicação que o Presidente da República fez hoje à Nação, teria sido feito logo no primeiro dia da denúncia pública. Mas, o Presidente da República optou pela confrontação e tentou desculpar-se durante oito dramáticos meses e tentou fugir às suas responsabilidades. Essa tentativa de desculpas e de fuga provocou danos políticos e cavou a confiança no país e nas instituições, sobretudo na imagem interna e externa do país e na imagem das instituições.
Creio que as autoridades saberão como lidar com essas situações, cumprir a Constituição e as leis da República. Na certeza, porém, que estamos perante a maior vitória de sempre da nossa Constituição da República!



Era na primeira hora tudo ficaria resolvido, mas resolveu atirar pedradas a quem não deve!
Muito bem. JMN confessou os crimes. Mas não assumiu que ele é o único culpado, Leia-se este parágrado da “confissão”:
Queira-se ou não, estamos perante uma nódoa na história do relacionamento sem rugas que deve existir entre os Órgãos de Soberania e, em particular, da cooperação e lealdade institucionais que favoreçam o bom desempenho de cada um deles”.
O que é que ele quer insinuar? Que há culpados fora da presidência, Isso é grave e faz com que o comunicado acabe por perder o seu valor.
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