JOÃO LOURENÇO: Sabe-se quem delapidou o erário público, em Angola

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Sucessor de José Eduardo dos Santos promete combate para reaver o “dinheiro que saiu de Angola”. João Lourenço diz mesmo que “são conhecidos os que traíram a pátria”

Uma grande entrevista do Presidente de Angola ao semanário Expresso, em Portugal, antecipa a visita de três dias que inicia na quinta-feira àquele país.

O Chefe de Estado aflora algumas questões, desde logo reitera o combate à corrupção e o compromisso para reaver o dinheiro que saiu do país, na era JES.

João Lourenço, o homem que sucedeu a José Eduardo dos Santos na presidência de Angola, que esteve 38 anos à frente do país, diz que também ficou “surpreendido” quando Eduardo dos Santos deixou o poder, mas garante que não está arrependido de decisões como a exoneração de Isabel dos Santos da Sonangol.

O PR diz que quer encontrar “os esconderijos” do dinheiro de Angola, dinheiro que saiu do país durante o “banquete” que se viveu ao longo de vários anos do reinado de JES.

O PR angolano diz que não houve “uma verdadeira passagem de pasta” e que não lhe foram “dados a conhecer os grandes dossiês do país”. Apesar de João Lourenço ser o sucessor de Eduardo dos Santos, teve a imposição de um vice-presidente, Bornito de Sousa. Lourenço desvaloriza essa escolha e afirma que a relação é “pacífica”. “Não temos de trabalhar só com os amigos, conterrâneos ou familiares”, diz.

Quanto a afirmações do seu antecessor, José Eduardo dos Santos, que demonstra arrependimento por o ter escolhido como sucessor, João Lourenço, afirma: “a questão não tem de ser colocada a mim mas a ele próprio”. Foi uma traição? “Não me fale em traição. São conhecidos os que traíram a pátria, a nação conhece-os, sabe quem são e o que fizeram”, atirou.

O combate destes “conhecidos que traíram a pátria” são não para os tribunais averiguarem, mas “para a história registar”, observou o Chefe de Estado que garante não estar arrependido de afastar Isabel dos Santos, da Sonangol.

“Entendi que a Sonangol merecia outro Conselho de Administração e assim o fiz, e não estou arrependido de o ter feito. (…) a Sonangol está melhor do que estava”, garante.

João Lourenço afirma que quando chegou ao poder, “os cofres do Estado já (estavam) vazios com a tentativa de os esvaziarem ainda mais”. Há a promessa de que se vai recuperar “o dinheiro de Angola”. “Vai ser um processo longo. Isto vai acontecer em maior ou menor medida”, indicou.

“Encorajá-lo-ia (José Eduardo dos Santos) a fazer isso (dizer quem beneficiou de benesses do Estado) mas, mesmo que não denuncie quem beneficiou do banquete, as figuras que de forma vergonhosa delapidaram o erário público são conhecidas…”, afirma João Lourenço.

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