Jorge Santos profere elogio fúnebre a Dom Paulino

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Para o Chefe da Casa Parlamentar, falar de Dom Paulino Évora é “enaltecer os valores da liberdade e dignidade da pessoa humana”

O Presidente da Assembleia Nacional, na qualidade de Presidente da República Interino, proferiu esta quarta-feira, 19, o elogio fúnebre, a Dom Paulino Évora, primeiro Bispo Cabo-verdiano, sepultado ao início da tarde, na Igreja Pró Catedral da Praia, e enalteceu as suas qualidades como Homem e Pastor, um “ilustre filho” destas ilhas conforme sublinhou.

Jorge Santos assinalou ser a morte de Dom Paulino um “momento de tristeza” e de “grande conforto” para todos os Católicos e quantos se identificam com os valores Cristãos.

No seu elogio fúnebre, referiu-se a um “homem exemplar, um homem de regras e princípios e um pastor zeloso de corpo inteiro”.

O PAN observa que a “renovação, crescimento e consolidação” da Igreja Católica em Cabo Verde após 1975, “estão intrinsecamente ligados” ao mandato daquele que foi o primeiro Bispo Cabo-verdiano.

“Falar de Dom Paulino Évora é enaltecer os valores da liberdade e dignidade da pessoa humana, pilares fundamentais da nossa Constituição da Republica de 1992”, acentuou, sublinhando que em “momentos de incertezas” para a Nação e de “privações” para os Cidadãos, Dom Paulino “colocou-se sempre do lado das pessoas, com sentido da realidade e de defesa dos direitos dos mais desfavorecidos”.

“No caminho para a democratização do País, devemos reconhecer e enaltecer o papel importante da Igreja Católica liderada pelo então Bispo da nossa Diocese, consubstanciado numa agenda de proximidade às comunidades locais e simbolizada com a visita a Cabo Verde do Papa João Paulo II, em 1990, num sinal evidente de que ventos de mudança estariam a caminho das nossas ilhas”, comentou Jorge Santos, para quem, nos vários momentos da nossa história recente, Dom Paulino, “com a sua frontalidade e coragem (…) chamou, sempre, a atenção dos poderes públicos e da Sociedade, para a situação de pobreza, exclusão social e de privações à liberdade de que eram vítimas muitos dos nossos concidadãos”.

Dom Paulino foi um “promotor” da doutrina social da Igreja Católica em Cabo Verde, elogiu ainda o PAN que apresentou a Cáritas como “bom exemplo” das suas ações sociais, nos mais recônditos das nossas ilhas.

“O legado do Bispo Dom Paulino Évora impele-nos a considerar e a assumir as Igrejas Cristãs como parceiras de primeira linha na definição e materialização das políticas sociais em Cabo Verde”, enfatizou, sem deixar de reconhecer a diplomacia do falecido Bispo “na aproximação” do Estado de Cabo Verde à Santa Sé, sendo que os resultados se evidenciam na assinatura da Concordata entre os dois Estados.

“A República de Cabo Verde rende a mais profunda homenagem a um dos seus filhos mais ilustres, e manifesta a sua eterna gratidão ao homem e ao pastor que soube presidir com sabedoria, humanismo e coragem a Igreja Católica, uma das instituições mais antigas e com maior implantação social e cultural no nosso Arquipélago”, declarou, sublinhando ficar-nos a memória de um homem “simples, culto, determinado, consciente do dever e dedicado às pessoas. Um homem que colocou, sempre, a dignidade da pessoa humana no centro do desenvolvimento de Cabo Verde”, acentuou.

Jorge Santos terminou o seu elogio fúnebre referindo-se ao Pastor que “soube anunciar a palavra, a tempo e fora de tempo”.