Chama-se Liziane Rocha, tem 18 anos. Concluiu o ensino secundário recentemente, e neste momento está a frequentar o ensino superior, mas teme interromper as aulas por questões financeiras
A jovem sonha ser Enfermeira, mas desde que iniciou o curso numa Universidade na Ilha de São Vicente não pôde pagar a propina mensal, daí o seu medo. Queixa-se da falta de apoio financeiro e sua família não tem posses.
A história é contada na primeira pessoa. Liziane Rocha, 18 anos, filha de uma empregada doméstica, sonha em ser enfermeira, principalmente nos tempos atuais, em que essa profissão é cada vez mais indispensável. Entretanto, conforme contou em conversa com OPAÍS.cv, ela corre o risco de ver interrompido o sonho de estudar para poder formar em enfermagem.
A jovem é natural da Ilha de São Vicente, residente na localidade de Espia. Terminou recentemente o ensino secundário com média de 13,5 valores. Neste momento está a frequentar o ensino superior. Até aqui tudo bem. O que lhe preocupa é o fato de ainda não ter pagado nenhum mês de propina, por falta de apoios, situação que a levou a lançar um apelo a diversas instituições, incluindo privadas, para lhe ajudar com os encargos do curso.
Garante ter motivação mas não tem como pagar as mensalidades à Universidade.
Segundo nos reportou, ela concorreu a uma bolsa de estudos na FICASE, mas não foi selecionada e nem conseguiu apresentar recurso. “Concorri a uma bolsa na FICASE, mas não fui selecionada. Reclamei e me disseram para enviar uma carta de reclamação, contudo, logo de seguida disseram que não adiantava porque iria demorar muito tempo e também porque não estão a dar mais bolsas e que esse ano os beneficiados são os alunos com mais notas”.
Filha de uma mãe que é empregada doméstica, a jovem diz que veio mais tarde ficar revoltada ao ver colegas, cujos pais, segundo ela, têm mais condições financeiras do que ela, a serem beneficiados pela FICASE. “Pensei que as bolsas da FICASE, beneficiariam os alunos carenciados, mas na verdade não é o que acontece”, desabafou, sublinhando que “é revoltante”.
Beneficiada desde o 7.º ano pela Câmara Municipal de São Vicente, a nossa entrevistada voltou a procurar aquela instituição para ver se conseguiria novos apoios mas ainda não obteve resposta.
“Desde o 7.º ano, é a Câmara Municipal que pagava a minha propina”, confirmou, admitindo que aquela Autarquia deveria continuar, porque “nunca reprovei e sempre fui uma boa aluna”.


