Os custos de financiamento de longo prazo atingiram esta terça-feira, 18 de agosto, máximos de vários anos nos Estados Unidos, Japão e Alemanha, num movimento associado às preocupações com a inflação, os preços do petróleo e o aumento das dívidas públicas. O cenário pode dificultar o acesso ao financiamento externo para economias mais vulneráveis, incluindo Cabo Verde
Os mercados obrigacionistas internacionais estão a atravessar uma forte onda de vendas, com os investidores a exigirem juros mais elevados para financiar os governos das principais economias mundiais. Nos Estados Unidos, a taxa das obrigações do Tesouro a 30 anos atingiu o nível mais elevado desde 2007, enquanto no Japão os juros a 10 anos chegaram ao máximo em quase três décadas. Na Alemanha, as taxas também alcançaram níveis não vistos em cerca de 15 anos.
A subida dos juros reflete sobretudo o receio de uma inflação persistente, alimentada pelo aumento dos preços do petróleo, bem como preocupações com défices orçamentais elevados e o crescente volume de dívida emitida pelos governos.
Para Cabo Verde, o fenómeno merece atenção. Embora grande parte da dívida externa cabo-verdiana tenha caráter concessional, o país continua dependente do financiamento externo e exposto às condições dos mercados internacionais. A S&P estima que o serviço de juros deverá representar, em média, 6,6% das receitas públicas entre 2026 e 2029.
Um prolongamento do ambiente de juros elevados poderá encarecer novos financiamentos, reduzir a margem para investimentos públicos e aumentar a pressão sobre países com necessidades significativas de financiamento.
O cenário internacional constitui, assim, mais um risco externo a acompanhar pela economia cabo-verdiana, apesar da trajetória recente de redução da dívida pública e do desempenho positivo do crescimento económico.

