Depois de dias intensos em Angola, marcados por apelos à justiça, reconciliação e combate às desigualdades, o Papa Leão XIV entra esta terça-feira, 21 de abril, na fase final da sua primeira grande viagem apostólica ao continente Africano
A chegada à Guiné Equatorial, última etapa de um périplo por quatro países, acontece sob forte expectativa, num contexto de desafios sociais e políticos que prometem marcar o tom das suas próximas intervenções.
Uma agenda exigente no coração de África
A visita apostólica de Leão XIV, iniciada a 13 de abril, percorre Argélia, Camarões, Angola e agora a Guiné Equatorial, num roteiro considerado um dos mais exigentes da história recente do Vaticano, com múltiplas cidades, encontros institucionais e celebrações religiosas.
Só nesta fase final, o Papa deverá cumprir uma agenda intensa em menos de 60 horas, passando por várias cidades e privilegiando o contacto com comunidades vulneráveis, jovens e instituições sociais.
Entre os compromissos previstos destacam-se encontros com autoridades, celebrações litúrgicas, visitas a instituições sociais, incluindo uma prisão e hospitais, e momentos simbólicos ligados à memória e reconciliação nacional.
As últimas mensagens deixadas em Angola
Antes de deixar Angola, onde esteve desde o passado dia 18, Leão XIV deixou um conjunto de mensagens fortes, tanto para o povo como para os líderes do País. Um dos apelos mais fortes foi de reconciliação nacional, tendo descrevido Angola como um País “ferido”, mas cheio de esperança, incentivando a superação das divisões do passado. O Pontífice criticou à exploração e desigualdade, tendo denunciado sistemas que concentram riqueza e perpetuam pobreza, alertando para a exploração dos recursos africanos.
Guiné Equatorial: expectativa, desafios e última etapa
A chegada à Guiné Equatorial marca o encerramento desta viagem e talvez o momento mais sensível do ponto de vista político e social. O País, maioritariamente Católico, vive sob um regime de longa duração e enfrenta profundas desigualdades, apesar da riqueza petrolífera.
A população espera do Papa uma palavra de consolo e encorajamento, sobretudo face à pobreza e marginalização que afetam grande parte dos cidadãos.
Para esta viagem, antevê-se uma agenda centrada em três eixos principais, nomeadamente, mensagem de justiça e dignidade humana, com possivelmente críticas à governação e às desigualdades no País de Theodoro Obiang. Proximidade às periferias, com visitas a instituições sociais e populações vulneráveis e afirmação da fé e esperança, num País onde a Igreja tem forte presença, mas enfrenta desafios estruturais.


