Cabo Verde assinala no próximo sábado, 5 de Julho, os 50 anos da sua independência nacional, uma data que celebra a coragem de um povo que, há meio Século, rompeu com o jugo colonial português e assumiu o destino nas suas próprias mãos. É, pois, o momento para rendermos justa homenagem àqueles que deram corpo à luta que nos tornou um país livre e soberano.
A proclamação da independência, em 5 de Julho de 1975, marcou o início de um novo ciclo de autodeterminação, identidade e soberania para estas ilhas. Contudo, a nossa história de liberdade não se encerra nesta data. A construção de uma nação verdadeiramente livre não terminou com a independência.
O 5 de Julho foi um passo determinante, sem dúvida. Mas a liberdade plena, política e de pensamento, só se concretizaria 15 anos depois, a 13 de Janeiro de 1991, com a realização das primeiras eleições livres e multipartidárias em Cabo Verde. A partir dessa data, Cabo Verde deu passos decisivos rumo à sua democratização. Foi nesse momento que o 5 de Julho se tornou mais completo.
Desde então, Cabo Verde reafirmou, perante si próprio e perante o mundo, a sua maturidade política e o seu compromisso com os valores do pluralismo, da democracia representativa e do Estado de Direito.
O 5 de Julho e o 13 de Janeiro não devem ser vistos como momentos isolados, mas sim como dois pilares fundamentais da nossa liberdade coletiva.
Costumo dizer, entre amigos, que a independência nos deu Cabo Verde enquanto Estado soberano, mas foi o 13 de Janeiro que nos deu democracia, e com ela, a voz que o 5 de Julho não trouxe ou que os 15 anos de regime de partido único nos retiraram.
Nesta reflexão, não posso deixar de associar a liberdade de imprensa como uma das grandes conquistas trazidas pela democracia.
Durante os anos de regime de partido único, entre 1975 e 1991, não existia imprensa livre em Cabo Verde. Toda a comunicação social pertencia ao Estado, e o Estado era o partido de então. A pluralidade de vozes simplesmente não existia. À exceção do jornal “Terra Nova” que destacamos pela sua coragem e liderança do Frei António Fidalgo de Barros, naqueles anos de provação.
A liberdade (também de imprensa), ocupa um lugar central em qualquer democracia. Uma sociedade verdadeiramente livre exige uma imprensa plural, responsável e independente. Sem ela, a cidadania enfraquece, o poder tende ao silêncio, e a verdade corre o risco de ser manipulada pela conveniência, muitas vezes amplificada pelas redes sociais, onde até as inverdades ganham eco.
Num tempo em que o sensacionalismo ameaça a credibilidade da informação, inclusive nalguns órgãos públicos, e em que a desinformação se propaga rapidamente nas redes sociais, torna-se ainda mais urgente defender um jornalismo sério, ético e plural.
Neste 5 de Julho, celebremos a liberdade com responsabilidade. Com a consciência de que a independência foi conquistada com sacrifício, e de que a democracia, com tudo o que ela implica, inclusive uma imprensa livre, é um bem que precisa ser defendido todos os momentos.
Parabéns Cabo Verde.


