Liberdade não pode ser confundida com a intimidação

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Cabo Verde construiu a sua democracia com sacrifício, coragem e respeito pelas instituições. É um património coletivo que não pode, nem deve, ser posto em causa por atos que evocam o medo, a violência e os períodos mais sombrios da História.

A apresentação pública da candidatura de Gilson Alves, rodeado de indivíduos encapuzados, armados e fazendo saudações associadas a regimes totalitários, constitui um facto grave e profundamente perturbador. Estes atos não são uma expressão legítima da liberdade política. São uma afronta direta aos valores da República, ao Estado de Direito e à dignidade da nossa democracia.

Recorde-se que este candidato foi condenado pelo Tribunal da Comarca de São Vicente a quatro anos e dez meses de prisão, com pena suspensa, por crimes de ameaça, ofensas corporais e disparos com arma de fogo. Este histórico reforça a gravidade dos acontecimentos recentes e a necessidade de uma resposta clara das instituições.

A liberdade de expressão é um pilar da democracia. Mas a liberdade não pode ser confundida com a intimidação, nem a democracia pode ser usada como plataforma para promover o autoritarismo, a violência ou a subversão da ordem constitucional.

Apelo à Procuradoria-Geral da República para que atue com celeridade e firmeza na investigação destes factos, garantindo o cumprimento da lei e a defesa da ordem democrática.

Apelo igualmente à Autoridade Reguladora para a Comunicação Social para que averigue estes factos e avalie a eventual violação dos princípios constitucionais e legais que regem o espaço público e a comunicação política.

Cabo Verde é e continuará a ser uma democracia livre, plural e assente no primado da lei. Não podemos permitir que o medo substitua a liberdade, nem que o extremismo ponha em risco aquilo que o nosso povo construiu com tanto esforço.

A democracia defende-se. Sempre.

2 COMENTÁRIOS

  1. A primeira preocupação deveria ser com a sanidade mental deste indivíduo. Muitas vezes não percebemos que certos comportamentos são fruto de algum trauma, abuso ou frustração, sobretudo na infância e adolescência. Num país como CV, em que todos se conhecem, é fácil perceber a origem do ódio, da maldade, do desejo de vingança, da inveja ou do complexo, ou seja, da perturbação mental das pessoas.
    As redes sociais vieram dar voz a pessoas adultas recalcadas, perturbadas e desequilibradas devido a vários fatores que viveram na infância e adolescência, como pobreza, discriminação, falta de amor, falta de afeto e ausência do pai, abusos sexuais, violêrncia domestica etc etc. Há gente que estudou e conseguiu “vencer materialmente” na vida, mas ainda odeia, inveja e quer eliminar quem, na infância, teve mais do que ele; quem vivia no bairro onde ele queria viver, mas não pôde. Carregam um complexo de inferioridade por não terem tido, por exemplo, um pai presente ou uma família abastada. Nem sempre são razões ideológicas e políticas que justificam certos comportamentos e comentários de ódio; é mesmo vontade de se vingar e de destruir moralmente aqueles que acham eternamente superiores a eles. Ter cargos, dinheiro e bens materiais não muda o perturbado mental. Ele terá sempre um alvo a atingir.

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