Vítor Fidalgo está de acordo em como a TACV não pode continuar na situação atual, marcada por um défice operacional crónico
O maior acionista privado da TACV, Vítor Fidalgo, revelou que apresentou à administração da transportadora um potencial parceiro estratégico europeu para relançar a companhia, defendendo que a solução para a empresa passa por uma parceria internacional associada a um novo modelo de negócios, sem recurso a garantias do Estado de Cabo Verde.
Nova estratégia para a TACV
Em entrevista à RCV, divulgada esta manhã, Vítor Fidalgo, detentor de cerca de 6,5% do capital da TACV, afirmou concordar com a posição do ministro dos Transportes e Mar de que a companhia não pode continuar na situação atual, marcada por um défice operacional crónico. Embora considere pouco provável uma reestruturação interna capaz de inverter o quadro financeiro, o empresário entende que a melhor solução passa por combinar uma parceria estratégica com uma profunda redefinição do modelo de negócios da companhia.
“O problema da TACV não é falta de dinheiro, mas sim de um novo conceito de negócio”, sustentou.
Parceiro europeu
A principal novidade avançada por Vítor Fidalgo é a existência de um potencial parceiro europeu, cuja proposta já foi apresentada à administração da TACV e que, segundo disse, está a ser trabalhada desde janeiro deste ano.
O acionista explicou que este parceiro aceita entrar na empresa sem exigir aval ou garantias financeiras do Estado cabo-verdiano, ao contrário do que, na sua perspetiva, aconteceu durante a parceria com a Icelandair.
Segundo o empresário, o parceiro pretende potenciar a internacionalização da TACV, aproveitando a licença de operador da companhia e a sua posição estratégica nas ligações entre Cabo Verde, Europa e América do Sul. “Estamos perante uma oportunidade ótima para relançar a TACV e fazê-la andar com os seus próprios pés no mercado internacional da aviação comercial”, afirmou.
Gestão privada e críticas à experiência com a Icelandair
Vítor Fidalgo reiterou a defesa de um modelo de gestão privada para a transportadora, argumentando que o sucesso de companhias como a Ethiopian Airlines resulta da autonomia empresarial e da reduzida interferência política.
Em sentido contrário, voltou a criticar a parceria anteriormente estabelecida com a Icelandair, considerando que a experiência agravou os prejuízos da empresa e não produziu os resultados prometidos.
Estado pode manter-se acionista
Apesar de defender uma nova gestão e um parceiro estratégico, o empresário entende que o Estado pode continuar na estrutura acionista da TACV, desde que a companhia passe a operar segundo critérios de mercado e disponha de um modelo sustentável. Acrescentou ainda que a prioridade não deve ser um aumento de capital, mas sim a implementação de novos mecanismos de funcionamento capazes de tornar a empresa competitiva.
Diáspora e turismo devem continuar no centro da estratégia
Na sua entrevista, o acionista considera que a futura TACV deve manter a ligação à diáspora e aproveitar a crescente notoriedade internacional de Cabo Verde, impulsionada pelo turismo e pela prestação da seleção de futebol, para reforçar a sua presença nos mercados externos.
Na sua perspetiva, uma parceria estratégica bem estruturada permitirá à companhia expandir a rede de destinos e assumir um papel mais relevante no desenvolvimento da aviação comercial cabo-verdiana.

