Maioria esmagadora dos cidadãos da CEDEAO prefere escolher os líderes nas urnas

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Numa altura em que Cabo Verde vai a votos, no próximo domingo, 17, para escolher o seu próximo Chefe de Estado, um estudo da Afro-barómetro dá conta que mais de 70% de cidadãos da África Ocidental preferem escolher os seus representantes, através de eleições livres, transparentes e democráticas

Esta informação foi partilhada pelo antigo representante especial do Secretário-Geral das Nações Unidas para a África Ocidental e Sahel, UNOWAS, o Ganês, Mohammed Ibn Chambas, durante a sua intervenção no seminário parlamentar subordinado ao tema: “Duas décadas de eleições democráticas nos Estados membros da CEDEAO: Realizações, Desafios e Perspetivas”, que está a decorrer na Cidade costeira de Winneba, em Gana.

“Trata-se de um valioso contributo para a democracia participativa e consolidação do Estado de Direito. Contudo, esta tendência tem diminuído ao longo dos tempos, em alguns países da nossa sub-região”, observa Mohammed Chambas que indica os dados da Afro-barómetro, segundo os quais, por exemplo, entre 2011 e 2020, a percentagem dos Ganeses que apoiam as eleições como forma preferida de escolhas dos seus líderes, caíram para 11%. Logo a seguir vem Cabo Verde e a Côte D’ Ivoir, que desceram 10% e depois temos a Nigéria e a Guiné-Conacri com 5 e 3 %, respetivamente. Neste ranking, destaca-se a Serra Leoa cujo índice de preferência aumentou para 11%.

Ainda assim, considera o antigo representante das Nações Unidas para a África Ocidental, as eleições na nossa sub-região têm-se tornado mais pacificas, transparentes e credíveis. “Apesar dos desafios colocados pela pandemia da Covid-19, em 2020 realizaram-se seis eleições na sub-região, como no Togo, Guiné-Conacri, Costa do Marfim, Burkina Faso, Gana e Níger”, reconhece o também professor na Universidade de Educação do Gana, lembrando, contudo, que algumas destas eleições tenham decorrido em contextos de crise política, mas os Estados-membros sempre souberam ultrapassá-la, no período pós-eleições.

Apesar desta ténue tendência de melhoria, no processo de eleições democráticas nos países da CEDEAO, ainda persistem muitos desafios, segundo Mohammed Chambas, que tem que ver, desde logo, com o que ele chama de “violência eleitoral”.

“A violência eleitoral continua a ser uma ameaça existencial à nossa democracia. Há vários fatores que aumentam a probabilidade de violência eleitoral, como as desigualdades socioeconómicas e a corrupção que, por sua vez, dão origem ao descontentamento, ao sentimento de marginalização das minorias étnicas e religiosas, bem como à desconfiança dos órgãos da soberania, como a Justiça, os órgãos de gestão e controlo eleitoral ou as forças de segurança”, considera aquele académico.

Finalmente, um outro grande desafio que pode minar a Paz, a tranquilidade social e a própria democracia participativa, prende-se com o desemprego jovem que grassam os países da CEDEAO. “Os dados da Afro-barómetro apontam, ainda, que entre 2016 e 2018, mais de 60% dos cidadãos da África Ocidental inquiridos acreditam que os governos gerem mal o problema do desemprego jovem, nos seus países”, sublinha Mohammed Chambas, sem esquecer a questão de equilíbrio do género, em todo o processo eleitoral nos países comunitários.

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