A democracia em Cabo Verde deveria ser como uma bengala: um símbolo de dignidade e respeito. É algo que todos desejam, mas que nem todos sabem usar corretamente. Um instrumento que permite opiniões díspares, que respeita a opinião de todos, maiorias e minorias, que assegura a participação de todos e que permite uma vida socialmente justa.
Li algures por aí tudo isso e questiono se essa vontade contida no âmago da palavra democrática, faz correspondência a certas figuras que se apresentam como democratas e conseguem até convencer que são aquilo, que não são, e com a sua esperteza emitem a si próprio o status de figuras inteligentes.
No dia a dia vivemos isso!
Questiono até que ponto conhecemos verdadeiramente as pessoas com quem diariamente lidamos?
Eu diria que numa escala de 1 a 10, ficamo-nos pelo 3,5 no máximo. Porque? Ora bem, porque hoje em dia acredito que há muito boa gente que prefere, e muito bem, não mostrar as suas cartas todas de uma vez. Optam por deixar a nu uma faceta que representa apenas uma pequena parte do todo.
Não são políticos, aproveitam da política, são hipócritas, por vezes acéfalos, que aprendem a lidar com assuntos que vão surgindo de forma prática e rápida, mesmo que isso implica ir contra os elementares princípios da ética republicana.
Quo vadis democracia?
Sempre que me questionam sobre o que mais desafiante temos na nossa passagem por cá, a minha resposta está e estará sempre relacionada com o mesmo tema: as pessoas. São as pessoas que nos trazem felicidade, são elas que nos dão cabo da cabeça, são elas que nos ensinam tanto e com quem, ao mesmo tempo, tanto desaprendemos.
Ambíguo, bem sei!
As vezes gosto de recorrer do anátema proferido por alguém, que define o politicamente correcto “pegar de um pedaço de mono sílaba pelo rabo”.
É possível?
Quando surge a democracia, surge com ele essa panóplia de homens e de oportunistas:
-o homem bom militante;
-o homem dirigente;
-o homem intriguista;
-o homem servil;
-o homem estamos juntos;
– o homem corrupto.
Todos, nas suas fileiras, engordam os nossos partidos políticos e uns são verdadeiros engenheiros da “desgraça colectiva”.



Não é por caso que Winston Churchill teria dito que a democracia é a pior forma de governo, à exceção de todas as demais.
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