O Príncipe, de Maquiavel, pode inspirar muitos políticos – e há até quem beba da sua taça de sapiência sem, contudo, compreender uma única gota daquilo que bebe.
Ler Maquiavel não é simplesmente citar Maquiavel. É preciso capacidade de interpretação, inteligência politica e, sobretudo, discernimento. Porque Maquiavel, apesar de ter ficado associado ao lado mais depreciativo da história, foi um exímio intelectual e um profundo conhecedor da natureza humana e dos mecanismos de poder.
Por isso, quando vejo certas figurinhas de “terceira categoria” a fabricar narrativas conspirativas em torno de uma eleição interna , apetece-me acordar Maquiavel e pedir- lhe que, do alto da sua sapiência, tenha paciência para explicar ao discípulo desastrado que até para ser Maquiavel é preciso ser inteligente.
Causa náusea, certas figuras encherem o seu camião de lixo tóxico e despeja-lo diariamente nas redes sociais, apenas para recolher alguns likes – tornando-se, simultaneamente, autor, comentador e espetador dos próprios devaneios.
Há quem transforma o conflito numa profissão e faça da acusação permanente a sua forma de convivência com a sociedade. Há quem confunda contundência com insulto, estratégia com conspiração e intervenção política com a necessidade compulsiva de estar sempre no centro da política.
O dia 6 de Setembro poderá ser, para alguns, um verdadeiro teste de maturidade politica. E talvez seja justamente aí que se perceba que as eleições internas não se ganham com camiões de lixo, narrativas inventadas, falsos doutores ou escribas de qualidade duvidosa. Ganham-se com ideias, argumentos, caráter, votos e respeito pelos militantes. Por isso, caro discípulo de Maquiavel: tenha calma. Até Maquiavel exigia sapiência. E mais importante ainda, exigia capacidade de dissuasão, inteligência e conhecimento da natureza humana.
Os falsos doutos de escriba não impressionam ninguém.
E como disse o BISPO, subscrevo:
TENHAM DÓ DESSA CRIATURA!

