Máscaras de Halloween e encenação democrática

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As nossas curiosas EMINÊNCIAS PARDAS continuam, de ilha em ilha, a debitar abstrações sem fim sobre a “democracia”.

É o estilo grandiloquente do professor Pardal.

Laissez-faire…

No entanto, NUNCA falam, por exemplo, de um Francisco Carvalho ou de José Maria Neves e dos seus actos (políticos) concretos, que preocupam o cidadão comum.

Alguma vez se lembraram, por exemplo, de criticar abertamente os CRIMES do dr. Neves e as suas manigâncias & peripécias à volta dos salários inconstitucionais da sua namorada, oops, “primeira-dama”?

Não. Jamais.

Essa forma assaz bizantina de IGNORAR OS PERIGOS REAIS (que ameaçam, efectivamente, as instituições democráticas) para se concentrar apenas em teorias, estorietas e jogos de bastidores foi, outrora, duramente escrutinada pelo grande Raymond Aron, que conhecia a esquerda estalinista e alguns “compagnons de route” mal reciclados.

A democracia constitucional não se defende com fantasias. Nem com máscaras de Halloween.

A tal “fuga à realidade” fragiliza a sociedade civil.

Isso parece aquela cena memorável do filme Titanic: o navio, saído das docas de Southampton, está prestes a afundar, mas o violino, alheio à gravidade das circunstâncias, exala soberanamente uma melodia divinal e digna das melhores sinfonias de Bach.

O que importa, digamos, é terminar em grande estilo!

Quem sabe…um dia até farão, por dever de consciência, um belo poema acerca do singular crepúsculo da democracia cabo-verdiana!