MIGUEL MONTEIRO: Desemprego não aumentou apesar de dois anos de seca e mau ano agrícola

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A taxa de desemprego manteve-se nos 12,2% apesar de ter havido dois anos consecutivos de seca e mau ano agrícola, com a destruição de 18.243 postos de trabalho, entre 2017 e 2018 no setor primário da agricultura, bem como ter havido um aumento da população de 15 e mais anos num total de 7233 indivíduos

Os Indicadores do Mercado de Trabalho, relativos ao ano de 2018, divulgados no passado dia 1, já foram esta quarta-feira, 3, comentados pelo MpD, Partido que sustenta a governação nacional.

Na voz do Secretário Geral, Miguel Monteiro, o Partido sublinhou a manutenção do desemprego, 12,2%, num cenário de dois anos consecutivos de seca e mau ano agrícola. Por outro lado, nota-se o aumento da população de 15 e mais anos, mas o desemprego “não aumentou”, observou MM.

“Na verdade, a taxa de desemprego em Cabo Verde hoje, 12,2% é muito menor daquela que o Governo do PAICV deixou, 15%”, assinalou o político.

MM põe tónica na diminuição do desemprego jovem, 15-24 anos, de 32,4% para 27,8%, e observou que combater o desemprego jovem “é efetivamente um dos maiores desafios da governação” nacional.

Por outro lado, o SG refere à diminuição do número de pessoas desempregadas, que passou de 28.424, em 2017, para 27.028, em 2018, sendo que no mesmo período há a registar a diminuição da taxa de subemprego, agora em 14,7% contra os 16%, em 2017.

MM regozijou igualmente com o aumento do número de inscritos no sistema de previdência social, com a diminuição da taxa de desemprego na população com nível superior de estudos, e com a duração média no desemprego.

Inatividade

Neste capítulo, o também Deputado da Nação observou ser “importante” observar e bem os dados, nomeadamente, que “a principal causa” para a inatividade é o facto de 64,5% ainda ser estudante. “Das pessoas que se encontram na inatividade, apenas 18,3% estão inativas porque consideram que não há emprego, 26% é inativo por ainda ser estudante, 17,6% por ser/estar inválido, doente, grávida, 11,5% por ter responsabilidades familiares ou pessoais, 9,5% por ser demasiado jovem ou demasiado idoso, 7,7% por já estar reformado, e 9,4% por outras razões”, assinalou o SG do MpD em declarações aos Jornalistas esta manhã na sede do Partido, em Achada Santo António.

Confiança

MM reitera confiança e garante que o Governo liderado por Ulisses Correia e Silva “tudo fará” para continuar a melhorar o ambiente de negócios, a apoiar o tecido empresarial, a apoiar o investimento direto estrangeiro, e a “retirar” os obstáculos existentes ao crescimento económico do País. “Só assim garantiremos o acesso ao rendimento condigno”, considerou, bem como asseverou que o crescimento a 7,6%, no último trimestre de 2018, é o prenuncio de que se está no bom caminho.

Em comunicado emitido na segunda-feira, recorda-se, o INE divulgou os dados relativos ao Mercado de Trabalho em 2018, com tónica na manutenção da taxa de desemprego, 12,2% tal como no ano anterior de 2017.



3 COMENTÁRIOS

  1. Só sendo, paicv, Expresso das Ilhas, e outros IGNORANTES ou MAL-INTENCIONADOS poderia esperar que depois de DOIS ANOS consecutivos de seca poderia haver muita mudança no emprego disponível! Com o crescimento económico, os grandes investimentos que criam grande numero de empregos em implementação ou em preparação não aparece do nada, leva no mínimo 2 anos! Investimento público,ajuda,privados no setor de agua/agricultura PARA NÃO DEPENDER DA CHUVA é o caminho! Agricultura industrial virado para exportação e completar o fornecimento do mercado turístico geraria um grande numero de empregos. Tenho a esperança que dentro de uns 5 anos derivado a nossa população ser baixa vamos passar a depender de mão de obra Estrangeira!

  2. Miguel Monteiro e o próprio MpD tem um grave problema: interpretar corretamente o mundo em seu redor e propor uma linha de pensamento que seja coerente com o pensamento de Centro Direita. Daí, o avanço de extremistas, à qual, para surpresa geral, aderiu até mesmo o Expresso das Ilhas, como muito bem notou o Freitas. Ora bem, desde a Revolução Industrial que o Sector Primário perde espaço em termos de mão de obra e de também de participação no PIB das economias ocidentais. Na maioria das economias avançadas, o sector primário não passa de 5% da força de trabalho, porém, a produtividade, essa quadruplicou-se. Daí, não deve constituir segredo o facto de menos pessoas terem acesso ao trabalho no campo, embora se espere que, quem lá fique tenha seus rendimentos aumentados. Por outro lado, tendo em conta que a agricultura pluvial é mais significativa em termos de espaço (terra) quando chove, e também pelo número de pessoas a ela associada (por que não temos nem terra arável nem água suficiente para trabalhar a terra disponível) é normal que, não chovendo, logo menos pessoas com trabalho (sazonal) nas lides agrícolas. O facto de não ter chovido, não deve ser a única razão pela quebra de número de postos de trabalho no campo. Veja, que com a introdução dos sistemas de rega gota-gota ou micro irrigação, o agricultor já não precisa ter dois, três ou quatro trabalhadores na sua horta. Sozinho, ele consegue irrigar por dia 5 a 10 hectares de terra, em dois ou três horas diário, coisa que, pelo sistema de alagamento precisava de um dia ou mais de trabalho, nalguns casos de vários homens. Portanto, a explicação, ou se quiser, o argumento deve ser neste sentido. É claro que, não havendo chuva para absorver a mão-de-obra sazonal no campo, nas condições actuais e de acordo com o calendário de pesquisa do INE, há sim interferência do mau ano agrícola, mas sobretudo, na resposta dos inquiridos. Por outro lado, há outro aspecto a considerar, qual seja: o facto de grande parte dos inquiridos e respondentes são do meio rural, não significa, necessariamente que suas rendas ou fontes de rendimento têm origem no sector primário. Logo, aceitar a proposta do Paicv em como foram destruídos 17 mil postos de trabalho na agricultura carece de verificação científica. Por fim, e nisso o MpD está certo, com o cenário descrito e aceitando que o mau ano agrícola impacta o emprego e desemprego, é justo acreditar que o Governo fez de tudo para, no mínimo, no campo, os efeitos do crescimento económico e redistribuição de renda chegasse ao meio rural. Caso contrário, a taxa de desemprego seria bem maior, no suposto de que a queda das chuvas traria mais emprego. Contudo, mais uma vez, mesmo que houvesse chuvas abundantes, o acesso ao emprego sazonal no campo, seria, na melhor das hipóteses, garantido no período compreendido entre julho e setembro. Resta analisar e concluir sobre o emprego na agricultura de regadio. Outra ilusão do INE, 80% parcelas são familiares que emprega pessoas do núcleo familiar. É verdade que, salvaguardando o caso da barragem de Poilão que se secou, a área irrigada não sofreu uma grande contração, mesmo com dois anos de seca severa, já que nem os níveis de oferta nem de procura por bens de origem agrícolas sofreram grandes alterações no preço, como demonstrar as taxas de inflação que mostram poucas oscilações, havendo caso até de deflação.

  3. onde se lê “em dois ou três horas diário”, deve ler-se duas ou três horas diárias…

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