Ministro do Turismo e Transportes considera “irrealista” promessa de viagens aéreas a 5 mil Escudos e marítimas a 500$00

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José Luís Sá Nogueira que falava à Rádio Voz do Atlântico sustentou que a operação aérea em Cabo Verde envolve custos extremamente elevados e exige uma gestão técnica rigorosa

O Ministro do Turismo e Transportes, José Luís Sá Nogueira, rejeitou a viabilidade de passagens aéreas interilhas a cinco mil Escudos e marítimas a 500$00, defendendo que tais propostas só seriam possíveis com um elevado nível de subsidiação por parte do Estado. Sem mencionar diretamente o PAICV ou o seu líder, Francisco Carvalho, o governante rebateu, numa entrevista a um programa de rádio nos Estados Unidos, as promessas apresentadas pelo líder do PAICV sobre transportes em Cabo Verde.

“Não acredito, obviamente”, afirmou o governante, quando questionado sobre a possibilidade de viagens de avião a cinco contos e de barco a 500 Escudos.

José Luís Sá Nogueira que falava à Rádio Voz do Atlântico sustentou que a operação aérea em Cabo Verde envolve custos extremamente elevados e exige uma gestão técnica rigorosa, incompatível com tarifas tão baixas sem forte intervenção financeira do Estado.

O Ministro explicou que apenas o leasing operacional de uma aeronave pode custar entre 130 mil e 200 mil Dólares mensais, sem contar com despesas de combustível, manutenção, taxas aeroportuárias, peças, formação contínua de tripulações e exigências impostas pelas autoridades aeronáuticas internacionais.

Segundo detalhou, o ponto de equilíbrio operacional de um avião do tipo ATR 72-600 obriga a tarifas médias entre 5.500 e 8 mil Escudos por passageiro, dependendo da ocupação e da antiguidade da aeronave.

“Como é que você vai cobrar cinco contos, menos de cinquenta Euros, para fazer qualquer ligação, qualquer que seja a rota?”, questionou.

O Ministro alertou que uma redução generalizada das tarifas implicaria um pesado encargo para o Orçamento do Estado. Feitas as contas, disse, subsidiar passagens aéreas em cerca de três mil Escudos por passageiro, num universo anual de aproximadamente 420 mil passageiros, representaria um custo de cerca de 13 milhões de Euros por ano.

Para o Ministro, garantir a mobilidade num País arquipelágico como Cabo Verde exige equilíbrio entre acessibilidade e sustentabilidade financeira das companhias.

José Luís Sá Nogueira lembrou que o Governo de Cabo Verde já implementou mecanismos de apoio à mobilidade, como a redução de 40% nas tarifas para São Nicolau, Maio e Brava, medida que representa um subsídio anual estimado em 1,3 milhões de Euros.

O Ministro destacou ainda que o atual modelo obriga as companhias a assegurarem frequências mínimas e interligação entre todas as Ilhas, ao contrário do passado, quando algumas operadoras concentravam voos apenas em rotas mais rentáveis.

“Hoje, as rotas estão interligadas, as frequências aumentaram. Isso responde à mobilidade da população e é uma questão de soberania”, defendeu.

Apesar de admitir que o Estado pode subsidiar parcialmente a operação para garantir conectividade, o Ministro do Turismo e Transportes considerou financeiramente difícil suportar níveis de subsidiação capazes de viabilizar tarifas tão reduzidas como as propostas no debate político atual.