Ministro Eurico Monteiro. “Negar os factos virou rotina para os descrentes”

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“Quando os factos incomodam, há quem prefira martelá-los”. O Ministro do Fomento Empresarial, Eurico Monteiro, desmonta o discurso do pessimismo crónico e desafia os críticos a olharem para os dados concretos: o desemprego caiu, o emprego subiu, a pobreza recuou e a economia cresceu. Mas para alguns, nada disso conta — porque “tudo tem que estar mau para que estejam certos”.

O Ministro da Promoção de Investimentos e Fomento Empresarial e Ministro da Modernização do Estado e da Administração Pública, Eurico Monteiro, lançou uma reflexão crítica sobre a forma como alguns setores da sociedade lidam com os avanços económicos registados em Cabo Verde nos últimos anos.

Em um artigo de opinião intitulado “À martelada”, o governante acusa certos discursos públicos de desvalorizar os indicadores positivos, preferindo uma narrativa permanentemente negativa, mesmo diante de dados oficiais que mostram melhorias expressivas no emprego e na redução da pobreza.

“Quando a bota não bate com a perdigota, pode escolher-se martelar a bota”, escreveu Monteiro, ironizando a tendência de distorcer factos para que se encaixem em opiniões previamente formadas. O Ministro observa que há quem rejeite sistematicamente qualquer evidência de progresso, mesmo que suportada por estatísticas reconhecidas nacional e internacionalmente.

Entre os dados apresentados, destacam-se a redução da taxa de desemprego de 15% em 2016 para 8% em 2024, bem como a queda do desemprego jovem de 41% para 20,1% no mesmo período. Além disso, só em 2024, foram criados cerca de 8.500 novos postos de trabalho, fazendo com que o país atingisse um recorde de quase 199 mil pessoas empregadas.

Apesar disso, segundo Monteiro, persiste uma narrativa alarmista: “O País está a ficar vazio”, dizem alguns, ignorando que a população com mais de 15 anos cresceu em mais de 3 mil pessoas entre 2022 e 2024. Para o Ministro, esse discurso parte de uma postura que “precisa que tudo esteja mau para que o descrente tenha razão”.

Monteiro admite que “falta muito por fazer”, mas defende que os progressos não devem ser negados nem ocultados por conveniência política ou ceticismo crónico. “O País cresceu, em média, cinco vezes mais nos últimos anos, baixou a pobreza extrema e absoluta, aumentou o emprego, os salários e os rendimentos das famílias”, sublinha, apontando para um esforço de transformação que, a seu ver, merece ser reconhecido, mesmo por quem mantém reservas.

A mensagem do Ministro deixa um apelo à honestidade intelectual no debate público e à valorização dos factos num contexto político e social onde, segundo ele, “toda a estatística oficial e avaliação internacional parece não valer nada face à certeza inabalável do descrente”.