Moçambique. 600 mulheres desaparecidas, outras vendidas por 550 Euros

Sob a ameaça de uma metralhadora, uma mulher teve de indicar aos rebeldes em Cabo Delgado, norte de Moçambique, as casas da aldeia de Diaca onde moravam raparigas

Por entre cerca de 200 meninas com idades entre 12 e 17 anos, escolheram quem queriam sequestrar, enquanto as mães imploravam para que as levassem a elas próprias e deixassem as crianças e jovens para trás. Mas os homens armados diziam que não queriam as mais velhas e investigações indicam porquê: as vítimas de Cabo Delgado terão servido a rebeldes para fornecer redes de tráfico de mulheres que se estendem da Europa ao Golfo Pérsico.

O relato de Diaca diz respeito a um dos ataques ao distrito de Mocímboa da praia em 2020 e foi divulgado hoje pela organização não-governamental Human Rights Watch, HRW, num comunicado em que estima ainda haver 600 mulheres desaparecidas em Cabo Delgado.

Segundo relatos de sobreviventes à HRW, houve mulheres obrigadas a “casar” com os sequestradores, outras foram escravizadas e vítimas de abuso sexual, outras ainda foram vendidas a “combatentes estrangeiros” por valores equivalentes a entre 550 e 1.600 Euros.

“Mulheres e meninas estrangeiras sequestradas, em particular, foram libertadas depois de as famílias pagarem resgates”, acrescentou a ONG.