Moçambique. Ataques terroristas faz mais de 54 mil deslocados em três semanas

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59% dos deslocados são crianças e 23% mulheres

A nova vaga de ataques terroristas em Cabo Delgado, no norte de Moçambique, provocou pelo menos 54.415 deslocados em três semanas, segundo estimativa divulgada hoje pela Organização Internacional das Migrações.

Em causa, de acordo com o mais recente boletim regular daquela agência intergovernamental, está a deslocação de pessoas devido a “ataques e o receio de ataques por parte de grupos armados”, entre 17 de abril e 5 de maio, sobretudo nos distritos de Ancuabe e Chiùre, mas também em Eráti, na vizinha província de Nampula, envolvendo 13.131 famílias.

No distrito de Chiùre, sul de Cabo Delgado, que tem sido o epicentro dos ataques terroristas mais violentos dos últimos meses, a OIM registou neste período um total de 51.012 deslocados, a maioria registados pela organização nas povoações de Namissir e Micone.

No distrito de Ancuabe, a OIM registou 2.959 deslocados, que fugiram sobretudo para a sede distrital, e no distrito de Eráti mais 444 deslocados.

A maioria dos deslocados neste período partiu do posto administrativo de Chiùre-Velho, sobretudo com destino à sede distrital, a vila de Chiùre, que desde fevereiro recebe dezenas de milhares de pessoas em fuga das comunidades vizinhas.

Do total de deslocados neste período, 59% (33.260) são crianças e 23% (12.276) mulheres, detalha a OIM, destacando que 99% destas pessoas em fuga necessitam de alimentação e 96% de abrigos.