Monumento à Liberdade: um grito necessário contra o totalitarismo

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Muitos dizem que gastar 150 milhões de escudos num monumento à Liberdade é desperdício. Mas esquecem-se de uma verdade simples: não há nada mais caro do que perder a liberdade.

A democracia em Cabo Verde não caiu do céu. Foi conquistada com suor, sacrifício e coragem. Foi também perseguida, censurada e ameaçada pelo totalitarismo. E atenção: não é apenas uma página encerrada do passado. Basta ouvir declarações recentes do líder atual do PAICV, que chegou a lamentar o “vazio” deixado pelo partido único e pelas suas organizações satélites. Isso é um sinal alarmante de que a sombra autoritária ainda ronda e pode regressar se não estivermos vigilantes.

É precisamente por isso que símbolos fortes não são luxo, são escudos contra a tirania. A Estátua da Liberdade, em Nova Iorque, foi erguida em tempos difíceis e criticada como esbanjamento. Hoje, é símbolo mundial da democracia e fonte de riqueza incalculável. O mesmo pode acontecer em Cabo Verde: este monumento não é apenas pedra e cimento, é um legado eterno, um farol que lembra a cada cabo-verdiano que a liberdade não pode ser negociada nem adiada.

É claro que hospitais, tribunais, escolas e agricultura precisam de investimentos. Mas não é preciso escolher entre um e outro. O pão alimenta o corpo; a liberdade alimenta a alma. E sem alma livre, até o pão perde sabor.

Por isso, a construção deste monumento não é capricho nem vaidade: é uma urgência estratégica, uma afirmação categórica de que Cabo Verde jamais voltará a aceitar o silêncio do partido único, nem as algemas douradas do autoritarismo.